Economia
Google quer renovar o mouse com inteligência artificial
Quase seis décadas após Douglas Engelbart inventar o mouse, o Google acredita que pode transformar esse acessório essencial para a interação com computadores usando inteligência artificial (IA). Nesta terça-feira (12), a empresa revelou o recurso de IA para o cursor dos Googlebooks, sua nova geração de notebooks.
Nomeado Magic Pointer, essa ferramenta traz uma camada adicional que vai além dos tradicionais cliques com botões direito e esquerdo. Ao posicionar o cursor sobre diferentes elementos na tela e movimentar rapidamente o mouse, o sistema sugere ações específicas.
A inteligência artificial pode interpretar o que o usuário vê e entende o contexto: ao apontar para uma data em um e-mail, ela oferece a opção de criar um evento no calendário; ao selecionar duas imagens, como uma cadeira e a sala, pode mostrar como os objetos ficam juntos.
“É impressionante que essa tecnologia tenha permanecido quase a mesma desde a introdução do clique com o botão direito. Com a IA Gemini, acreditamos que podemos transformar a experiência do cursor na tela”, afirmou Alex Kuscher, diretor sênior do ChromeOS, durante a apresentação para jornalistas.
Essa inovação é viabilizada pela profunda integração dos modelos de IA no novo sistema operacional dos Googlebooks, por meio do recurso chamado “Gemini Intelligence”.
As inteligências artificiais que geram essas sugestões funcionarão tanto no hardware dos dispositivos quanto nos servidores em nuvem do Google. Para operar localmente, os notebooks contarão com equipamentos avançados, fabricados por empresas como Acer, ASUS, Dell, HP e Lenovo.
“O Magic Pointer mostra a forma como imaginamos os recursos de IA nos Googlebooks: integrados, mas discretos. Eles aparecem quando você precisa deles e compreendem seu contexto”, explicou Kuscher.
Essa iniciativa segue a visão de Douglas Engelbart, falecido em 2013. Em 9 de dezembro de 1968, no Stanford Research Institute, ele apresentou a um público de mil engenheiros um pequeno dispositivo que permitia apontar para qualquer objeto na tela de um computador — uma inovação, já que até então as máquinas exibiam apenas texto estático.
Essa apresentação ficou conhecida como “Mother of All Demos” (Mãe de Todas as Demonstrações), impactando profundamente o desenvolvimento da tecnologia. Os primeiros protótipos do mouse tinham três botões, criando o conceito do botão direito, um recurso que mudou pouco ao longo das décadas.

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