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Museu do Louvre negligenciou a segurança, afirma relatório parlamentar
O Museu do Louvre tem deixado a segurança em segundo plano nos últimos anos, segundo revelou uma Comissão Parlamentar de Inquérito da França, que investigou o grande furto de joias ocorrido em um dos museus mais visitados do mundo.
O assalto, em outubro do ano passado, envolveu o roubo de joias da Coroa do século XIX avaliadas em mais de 100 milhões de dólares, o que gerou grande repercussão na França e resultou na formação da comissão em dezembro para apurar as falhas na segurança dos museus.
De acordo com o relatório da comissão, presidida por Alexis Corbière, as deficiências na segurança do Louvre já eram conhecidas através de diversos estudos, incluindo auditorias realizadas em 2017 e 2019.
Em um museu que recebe quase nove milhões de visitantes por ano, as questões de segurança foram deixadas em segundo plano em favor de objetivos como divulgação e influência, que passaram a ter prioridade, declarou o deputado.
O Tribunal de Contas francês também constatou que o Louvre priorizou eventos visíveis e atrativos em detrimento da manutenção e modernização dos prédios, especialmente no que diz respeito à segurança.
Corbière ainda criticou a falta de fiscalização do Ministério da Cultura sobre as decisões da direção do museu, responsabilizando o sistema pelo qual seus diretores são nomeados pelo presidente da França.
Para evitar a influência direta do presidente, ele sugeriu que a escolha dos diretores do Louvre seja feita de forma transparente pelo conselho de administração.
Entre as recomendações do relatório, está o incremento dos recursos do fundo de segurança criado pelo Ministério da Cultura após o furto, que atualmente dispõe de 30 milhões de euros.
O aumento do efetivo e das previsões para os agentes de segurança são outras medidas recomendadas, com base em entrevistas realizadas com mais de cem pessoas.
O deputado também questionou o plano ‘Louvre-Novo Renascimento’, anunciado para 2025 pelo presidente Emmanuel Macron, que prevê a renovação do prédio visando a receber até 15 milhões de visitantes.
O historiador de arte Christophe Leribault, de 62 anos, assumiu a direção do Louvre em fevereiro para liderar essa nova fase, após o mandato de sua predecessora Laurence des Cars, iniciada quatro meses após o roubo.

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