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Deputados de São Paulo destinam emendas a empresas ligadas à produtora do filme ‘Dark Horse’
Deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) direcionaram R$ 700 mil de recursos públicos para empresas administradas por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora do filme “Dark Horse”, que é uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Quatro parlamentares, sendo três do bolsonarismo e um do PT, foram responsáveis pelas indicações, mas todos eles negam irregularidades.
De todo esse valor, R$ 300 mil chegaram a ser pagos, segundo informações do Portal da Transparência. Esses dados foram inicialmente divulgados pelo site Metrópoles e posteriormente confirmados pelo Globo.
A Polícia Federal está investigando o financiamento do longa-metragem. Recentemente, o site “Intercept Brasil” divulgou áudios onde o senador e candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), solicitava pagamentos ao proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. Foram enviados pelo menos R$ 61 milhões a um fundo americano através de um negócio controlado por Vorcaro.
As emendas provenientes dos deputados paulistas foram destinadas a duas empresas de Karina: o Instituto Conhecer Brasil e a Associação Nacional de Cultura. Ambas operam em um imóvel na Avenida Paulista, em São Paulo, conforme registros oficiais.
Em 2023, a deputada Valéria Bolsonaro (PL), antiga secretária estadual de Políticas para a Mulher, repassou R$ 100 mil ao instituto para a compra de equipamentos. Essa emenda tinha execução obrigatória e foi encaminhada em 28 de dezembro, perto do fim do prazo para pagamento. A equipe da deputada foi procurada para comentar o assunto, mas não respondeu até o momento.
Dois anos depois, dois outros deputados bolsonaristas indicaram recursos para empresas ligadas a Karina. Lucas Bove (PL) indicou R$ 213 mil para um projeto esportivo no mesmo CNPJ, mas essa emenda não foi executada por impedimentos técnicos, possivelmente por falta de documentação adequada.
Bove comentou que recebeu um projeto de esporte infantil, mas redirecionou o recurso por questões documentais, pois o instituto não apresentou a documentação necessária.
Gil Diniz (PL), conhecido como “Carteiro Reaça” e aliado de Eduardo Bolsonaro, destinou R$ 200 mil para a Associação Nacional de Cultura para a produção da série documental “Heróis Nacionais — Filhos do Brasil que não se rende”. Esse valor foi pago em agosto de 2025. O deputado não respondeu aos pedidos de comentário.
Este ano, o deputado petista Luiz Fernando Teixeira, próximo do ministro do Trabalho Luiz Marinho, apresentou uma emenda impositiva de R$ 190 mil para o instituto de Karina para apoiar projetos culturais. Ele afirmou que o valor será usado exclusivamente para um projeto de aulas de teatro em São Bernardo do Campo, solicitado por um grupo teatral. O parlamentar afirmou apoiar o setor cultural desde 2015, quando assumiu o cargo.
Fiscalização das emendas federais
Recentemente, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino solicitou esclarecimentos a deputados federais do PL sobre emendas destinadas às empresas Instituto Conhecer Brasil e Academia Nacional de Cultura, controladas por sócia da produtora de “Dark Horse”.
A investigação está em estágio inicial e busca verificar possível descumprimento de uma decisão do STF que exige transparência e rastreabilidade das chamadas “emendas Pix”, além de averiguar se houve direcionamento oculto dos recursos para a produção do filme.
Entre os deputados envolvidos está o ex-ator Mário Frias (PL), que participou do elenco e do roteiro do filme. Ele repassou R$ 2 milhões para o Instituto Conhecer Brasil por meio de duas emendas: uma para capacitação em letramento digital para alunos do 4º e 5º anos de escolas públicas, e outra para implementação do projeto de artes marciais “Lutando pela Vida” em São Paulo.
A reportagem do site UOL revelou que Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP) enviaram R$ 1 milhão cada para o governo de São Paulo através de transferências especiais conhecidas como “emendas Pix”, que dificultam a rastreabilidade do destino final dos recursos. Esses valores foram destinados à Academia Nacional de Cultura para apoiar a produção “Heróis Nacionais”. Outros parlamentares, como Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF), também contribuíram com somas de R$ 500 mil e R$ 150 mil, respectivamente.

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