Centro-Oeste
Estudantes do DF vencem atraso escolar com força e apoio
Mesmo sem atingir as metas estipuladas pelo Ministério da Educação (MEC) para 2025, o Distrito Federal tem apresentado avanços importantes na redução do atraso escolar entre seus alunos, conforme dados do Fundo Internacional de Emergência para a Infância das Nações Unidas (UNICEF).
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que reflete a qualidade da educação no país, indicou que a meta para os anos iniciais do Ensino Fundamental era 6,5, mas o DF alcançou 6,0. Nos anos finais, a meta era 5,3, com registro de 4,7, e no Ensino Médio a nota ficou em 4,1, abaixo da média nacional. Apesar disso, o percentual de estudantes com atraso escolar diminuiu significamente entre 2019 e 2025.
O esforço para superar esse desafio tem se mostrado intenso nas escolas públicas do DF, especialmente no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 308 em Santa Maria. A professora Lindaurah Silveira destaca o Programa SuperAção, criado para ajudar estudantes do 3º ao 9º ano com atraso, que tem possibilitado avanços notáveis na trajetória escolar dos jovens.
Um exemplo é Emili Pereira, que aos 17 anos conseguiu avançar dois anos escolares em apenas um ano, graças ao apoio dos professores e à sua dedicação. Ela agora se prepara para concluir o ensino básico e sonha com uma vaga na universidade.
Exemplos de superação
Além de Emili, outras estudantes têm histórias similares de conquista. Emanuela Silva, que antes não sabia ler, avançou dois anos e superou desafios pessoais. Maria Eduarda também progrediu muito, deixando para trás a vergonha inicial e ganhando confiança e esperança para seguir nos estudos.
Importância da comunidade escolar
Para Lindaurah, o apoio coletivo entre alunos, famílias e professores é fundamental para o sucesso do projeto. O compromisso de todos cria um ambiente que incentiva a aprendizagem e a superação do atraso.
Apesar dos bons resultados, a professora reconhece que ainda há dificuldades, especialmente em áreas periféricas, onde nem todos os estudantes contam com a rede de apoio necessária. O programa vem crescendo e tem alcançado cada vez mais alunos.
Trajetória de Sucesso Escolar
O SuperAção faz parte da estratégia “Trajetória de Sucesso Escolar”, desenvolvida pela Secretaria de Educação do DF em parceria com o UNICEF, para prevenir a reprovação, o abandono e a distorção idade-série, garantindo que crianças e adolescentes tenham direito à aprendizagem e à permanência na escola.
Além disso, a Escola de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (Eape) oferece formação para professores focada em práticas pedagógicas que atendam esses estudantes.
De acordo com dados do UNICEF, o DF possui atualmente cerca de 33.914 estudantes com atraso no Ensino Fundamental e 16.151 no Ensino Médio. Entre os estados brasileiros, o DF apresenta uma das menores taxas de distorção idade-série.
A oficial de Educação do UNICEF, Erondina Barbosa, destaca que a distorção idade-série é um problema grave no Brasil, mas vem sendo enfrentado com políticas específicas, especialmente nos anos finais do Ensino Fundamental, e reforça que a pandemia agravou lacunas de aprendizagem, porém o país tem buscado políticas para recompor esses aprendizados.
Desafios para continuar evoluindo
Apesar dos avanços, Erondina ressalta que garantir a aprendizagem para todos é um desafio constante. É fundamental ensinar de forma eficaz em vez de simplesmente reprovar alunos que apresentam dificuldades.
Ela também enfatiza que a reprovação sem aprendizagem não é solução, e que estudantes com atraso escolar precisam de um acompanhamento especial para evitar o abandono e outros riscos sociais.
Segundo a especialista, o Brasil está no caminho certo com políticas sólidas e investimentos na formação de professores. A estratégia Trajetória de Sucesso Escolar tem se expandido para outros estados, ampliando o apoio a estudantes em situação de atraso.
Os dados mostram que houve redução da distorção idade-série em todas as regiões e etapas da Educação pública. Para o UNICEF, a escola é um espaço de proteção para crianças e adolescentes, garantindo que eles aprendam e se desenvolvam de forma segura.
Fonte: Com informações Jornal de Brasília

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