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O último suspiro do Universo: o que a Física diz sobre o fim de tudo

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O término do tempo não acontecerá com grandes explosões nem sons estrondosos apocalípticos. Na realidade, o colapso do Universo será um processo lento, frio e extremamente silencioso. Essa é a ideia principal da palestra O fim do tempo, apresentada na quinta-feira, dia 6, durante o Rio Innovation Week, no Píer Mauá, Rio de Janeiro, pelo físico teórico e comunicador científico Brian Greene.

Reconhecido por explicar os conceitos complexos da cosmologia e da teoria das cordas para o público em geral, Greene descreveu a cronologia completa do Cosmos – uma jornada desde o Big Bang, há cerca de 14 bilhões de anos, até o inevitável desaparecimento de toda a matéria em um futuro distante.

“Citando o escritor russo Vladimir Nabokov, eu diria que ‘nossa existência é apenas uma faixa de luz entre duas eternidades de escuridão’”, disse Greene.

A força que conduz esse destino inevitável é a entropia – a tendência natural do Universo de evoluir da ordem para a desordem. Segundo Greene, a vida e as galáxias são apenas “ilhas temporárias de organização” em um vasto oceano de caos em constante expansão.

“A entropia é o processo pelo qual o Universo desmantela suas estruturas, destrói as coisas”, explicou Greene. “É um conceito fundamental pois demonstra como o Universo se transforma com o tempo, da baixa entropia para a alta, da ordem para o caos.”

Para ilustrar o caminho até o fim do tempo, Greene utilizou uma metáfora visual baseada nos 102 andares do Empire State Building, em que cada andar representa um salto exponencial no tempo. Atualmente, conforme ele, estamos no 10º andar. O fim do tempo acontecerá no 102º.

“No 11º andar, o Sol terá consumido todo seu combustível e crescerá mais de 200 vezes, engolindo Marte, Vênus e possivelmente a Terra”, informou. “No 12º andar, a expansão acelerada do Universo fará as galáxias se afastarem tanto que o céu visível se tornará completamente escuro.”

À medida que as estrelas se apagam uma a uma, o cosmos entrará numa era de escuridão, restando somente restos estelares e buracos negros galácticos.

No 20º andar, se a Terra ainda existir, ela terá chegado ao fim. No 30º, estrelas serão engolidas pelos buracos negros, que acredita-se ficarem no centro das galáxias. No 38º andar, os prótons, que formam a base da matéria, vão se desintegrar. No 50º andar, se houver alguma consciência remanescente, seu último pensamento ocorrerá, pois o pensamento gera calor, e nesse estágio o Universo terá tão pouca energia que não poderá absorver esse calor, fazendo com que qualquer pensamento seja eliminado.

Finalmente, no 100º andar, até os buracos negros se desintegrarão em uma sopa fria de partículas tão distantes umas das outras que nenhuma interação ocorrerá. Este processo é chamado de “congelamento eterno”.

Diante da inevitável evaporização de tudo, qual seria o sentido da existência humana? É nesse ponto que Greene une Ciência e Filosofia. Para ele, compreender a vastidão do tempo não tira importância da vida humana. Ao contrário, destaca o quão rara e preciosa é nossa capacidade de produzir conhecimento, fazer perguntas e entender o Cosmos.

“Ao refletirem sobre sua própria existência, perceberão o quão improvável é estarmos aqui”, afirmou. “Cada um de nós ganhou a loteria mais improvável de todas: a do Cosmos.”

Assim, diante da imensidão do Universo, a brevidade da vida não deve nos fazer sentir insignificância, mas sim gratidão pela oportunidade única de existir e entender nosso lugar no Cosmos.

“O fato de que partículas se juntaram por um momento para formar seres capazes de pensar, amar, criar música e investigar as leis do Universo é um milagre tanto estatístico quanto poético”, concluiu Greene. “Por mais rara e efêmera que seja a existência humana, devemos ser agradecidos.”

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