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Economia

Alerta no setor elétrico por El Niño intenso

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Com a previsão de um El Niño muito intenso a partir da primavera, o governo federal e o setor elétrico brasileiro já estão adotando medidas para assegurar o fornecimento de energia no país.

Entre as ações está a antecipação da contratação de energia de reserva, aprovada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).

Essa movimentação sinaliza a preocupação com os possíveis impactos do fenômeno climático na matriz elétrica brasileira e os efeitos de um possível aumento nos custos de geração para o consumidor.

“O El Niño encontra-se atualmente em intensidade moderada e deve se intensificar para um nível muito forte em outubro”, explica Edvânia Santos, meteorologista da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac).

De acordo com ela, o fenômeno poderá permanecer ativo até o primeiro semestre de 2027, com alta probabilidade de continuidade durante a primavera e o verão do Hemisfério Sul.

“Historicamente, um El Niño muito intenso provoca redução das chuvas sobre grande parte do Norte do Nordeste, especialmente entre primavera e verão, como visto nos anos de 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016”, destaca Edvânia.

Em Pernambuco, observa-se maior risco de impacto na estação chuvosa do Sertão a partir de dezembro. “O El Niño atua em conjunto com outros fatores climáticos, como a temperatura do Atlântico Tropical, que podem amplificar ou atenuar seus efeitos”, completa.

Geração hidrelétrica

O impacto do El Niño sobre a produção de energia não é sempre negativo. “Na região do Nordeste e bacia do São Francisco, essa relação pode, às vezes, ser positiva”, afirma a professora Josicleda Galvincio do Departamento de Ciências Geográficas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Para Josicleda, o aumento das temperaturas e consequente elevação do consumo, especialmente pelo uso intenso de ar-condicionado, são os principais desafios para o sistema elétrico durante o fenômeno.

A especialista destaca que o sistema elétrico brasileiro está mais preparado para períodos de chuvas abaixo da média, devido à expansão das fontes eólica e solar.

Quanto às termelétricas, a diversificação crescente da matriz energética reduz a frequencia de uso dessas usinas, embora o comportamento dos reservatórios e da demanda nos próximos meses influencie a operação do sistema.

Preparação do setor

Empresas do setor acompanham atentamente os efeitos climáticos para garantir a estabilidade do fornecimento. A Axia Energia monitora constantemente o clima por meio de seu Centro de Monitoramento de Inteligência Meteorológica, operando 47 hidrelétricas no país.

Por sua vez, a Neoenergia Pernambuco possui centro de previsão climática e age de forma preventiva para minimizar eventuais problemas, contando ainda com plano de contingência para situações de crise, destaca o diretor-presidente Saulo Cabral.

Segundo ele, dos R$ 9,7 bilhões previstos para investimentos da Neoenergia em Pernambuco até 2030, uma parte será aplicada em garantir confiabilidade e continuidade do fornecimento, com R$ 1,7 bilhão destinados em 2026 para expansão, modernização e digitalização da rede elétrica local.

Impactos na conta de luz

Para os consumidores, os efeitos do El Niño na conta de luz dependerão de vários fatores climáticos, dos níveis dos reservatórios, da demanda e do desempenho das fontes renováveis, bem como da eventual necessidade de ativação de usinas termelétricas mais caras.

Josicleda explica que períodos de maior pressão sobre o sistema podem levar ao aumento das tarifas, especialmente se houver necessidade de maior uso de termelétricas e aplicação de bandeiras tarifárias elevadas.

A Neoenergia Pernambuco orienta os clientes a adotarem hábitos conscientes no consumo de energia, principalmente diante da previsão de verão mais quente, evitando desperdícios e ajudando a conter o impacto no valor das faturas.

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