Centro-Oeste
Vila do Pequenino Jesus acolhe pessoas com deficiência e mobiliza voluntários
Vila do Pequenino Jesus completou 17 anos em Brasília e atende atualmente 104 pessoas com deficiência. A maioria dos acolhidos não possui mais referências familiares. A instituição oferece cuidados de saúde, alimentação, assistência e promove qualidade de vida.
O coordenador-geral, Jorge Deister, contou que o projeto começou em 2009 no Rio de Janeiro, onde trabalhava como voluntário em uma casa para pessoas com deficiência. Na época, Jorge era marceneiro e tinha uma empresa com cerca de 30 funcionários.
Localizada no Lago Sul, a Vila depende de parcerias e doações para custear suas despesas, que giram em torno de R$ 8 mil a R$ 10 mil por dia. Jorge busca novos recursos para ampliar o atendimento.
O projeto nasceu com cinco acolhidos e cresceu por meio das visitas de Jorge a hospitais de Brasília, onde percebeu a demanda de pessoas internadas por longos períodos sem condições de retornar para a casa. Atualmente, são 104 acolhidos, sendo que entre 2024 e 2025, 25 pessoas oriundas de hospitais passaram a morar na Vila, braço do Governo do Distrito Federal (GDF).
Um lar acolhedor
A Vila atende pessoas com condições neurológicas e físicas que necessitam de cuidados especiais. A equipe procura oferecer atendimento individualizado conforme as necessidades de cada pessoa.
Além dos cuidados médicos e assistenciais, a Vila busca reproduzir um ambiente familiar, promovendo alimentação adequada, passeios e atividades adaptadas. Um dos projetos leva semanalmente grupos de acolhidos a espaços públicos acessíveis, incentivando também a conscientização sobre acessibilidade na sociedade.
Mutirão de fraldas com voluntários
Uma das principais ações da Vila é o mutirão mensal para fabricação de fraldas. São usadas cerca de 800 fraldas por dia na instituição, e a mobilização reúne aproximadamente 300 voluntários, de várias idades.
A produção própria foi iniciada após a Vila receber uma máquina para fabricação, com apoio da Fundação Banco do Brasil para compra dos insumos. Atualmente, aproximadamente 400 fraldas são produzidas por dia, e o mutirão continua essencial para suprir a demanda.
Voluntariado como presença
Jorge destaca que o voluntariado deve ir além da doação de tempo e trabalho, criando vínculos com os acolhidos. Ele lembra que a manutenção da Vila depende de parcerias, doações e do trabalho de mobilização da instituição.
Histórias que inspiram
Uma das histórias que marcaram Jorge é a do acolhido Márcio, que depois de anos internado e em coma, encontrou na Vila carinho e amor. Márcio foi adotado por Jorge e sua esposa e hoje vive com a família, trazendo alegria.
Jorge afirma sentir-se privilegiado por conviver com pessoas cujas histórias conhece e reforça que a dignidade não deve depender da capacidade produtiva de ninguém.
Fonte: Com informações Jornal de Brasília

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