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Países asiáticos aliados pedem união após cortes militares de Trump com Coreia do Sul

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O Japão declarou nesta terça-feira (18) que a colaboração em segurança com os Estados Unidos e a Coreia do Sul é vital para garantir a estabilidade regional, após o presidente Donald Trump ter alarmado seus aliados ao reduzir os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul.

De forma inesperada, no domingo, Trump anunciou que ordenou ao Pentágono diminuir as manobras militares “inadequadas e hostis” com a Coreia do Sul.

No dia seguinte (17), ele reafirmou que essa medida está tornando a situação “mais segura” devido às suas relações com o líder norte-coreano, Kim Jong Un, com quem se reuniu três vezes durante seu primeiro mandato, mas ainda não teve encontros desde que voltou à presidência em janeiro de 2025.

Trump elogiou a Coreia do Norte, país que possui armas nucleares, e criticou a Coreia do Sul, seu aliado estratégico, por não contribuir com os Estados Unidos na guerra contra o Irã, que, de acordo com ele, busca impedir que Teerã construa uma bomba atômica.

Questionado sobre uma possível resposta de Kim Jong Un às suas mensagens, Trump afirmou aos jornalistas na Casa Branca: “Sim, ele respondeu”.

O presidente americano reforçou os elogios ao líder norte-coreano, destacando que sua relação se mantém respeitosa. “Kim Jong Un sempre me tratou com grande respeito”, disse. “Eu o entendo. Ele me entende”.

Cooperação Essencial

Os exercícios “Ulchi Escudo da Liberdade”, que duram 11 dias e são realizados em parceria com a Coreia do Sul, visam preparar os países para uma possível guerra com a Coreia do Norte — que vê tais manobras como um ensaio para uma invasão.

O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, manifestou seu apoio à colaboração de segurança conjunta com os Estados Unidos, principal aliado em defesa, e a Coreia do Sul, seu vizinho.

“Diante do ambiente de segurança mais grave e complexo desde o pós-guerra, a cooperação entre Japão, Estados Unidos e Coreia do Sul é essencial para a paz e estabilidade da região”, afirmou Koizumi durante visita à Austrália.

O ministro australiano, Richard Marles, ressaltou a preocupação constante de Canberra com o programa nuclear e de mísseis da Coreia do Norte.

Autoridades sul-coreanas relataram que os exercícios ocorreram conforme o esperado e esperam que a boa relação pessoal entre Trump e Kim leve a um retorno das negociações diplomáticas.

A presidência da Coreia do Sul declarou que os exercícios não têm intenção de atacar a Coreia do Norte nem agravar as tensões na península coreana.

Por outro lado, o Ministério da Unificação, responsável pelas relações com o Norte, afirmou que não pode confirmar se houve comunicação entre Kim e Trump. “Embora existam canais de comunicação entre as partes, não podemos verificar o conteúdo específico das mensagens”, disse um porta-voz.

Dúvidas Sobre Compromissos

Na segunda-feira, Trump expressou incertezas quanto ao apoio dos Estados Unidos à Coreia do Sul e aos aliados da OTAN, que não estão dispostos a contribuir com a guerra contra o Irã.

“Temos 39.000 soldados lá, protegendo-os de Kim Jong Un, o vizinho, e eles não vão nos ajudar em uma simples operação militar no Irã. Isso é estranho”, declarou o presidente republicano. “Não podemos continuar protegendo todos esses países, especialmente quando eles não nos ajudam”.

Os Estados Unidos mantêm 28.500 soldados na Coreia do Sul para reforçar a defesa do país, legado da Guerra da Coreia (1950-1953), que terminou com um armistício e não com um tratado de paz.

No entanto, as críticas frequentes de Trump às alianças tradicionais de Washington geram dúvidas sobre o comprometimento americano com a segurança no Leste Asiático. A redução dos exercícios foi anunciada enquanto o único porta-aviões americano na região do Pacífico, o USS George Washington, está se dirigindo ao Oriente Médio para substituir o USS Lincoln, que enfrenta problemas de saúde mental da tripulação e abastecimento após uma missão longa.

Aliados norte-americanos na região enfrentam pressão para aumentar seus gastos com defesa, incluindo Taiwan, que a China considera parte de seu território e já ameaçou usar força para retomar.

O presidente taiwanês, Lai Ching-te, anunciou na segunda-feira um orçamento recorde para defesa em 2027.

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