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Netanyahu aponta Turquia como rival nas eleições

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Após mais de dois anos enfrentando seus diversos adversários no Oriente Médio, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, em plena campanha eleitoral, escolheu um novo rival: a Turquia.

O ataque de terça-feira (18) contra uma base militar desativada no norte da Síria, perto da fronteira turca, intensificou a tensão entre as duas nações.

Netanyahu afirmou que a Turquia buscava estabelecer uma presença militar na região e que, após ignorar os alertas de Israel, os israelenses fizeram questão de que a mensagem fosse compreendida.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, aumentou a pressão ao escrever nesta quinta-feira (20) no X que o presidente Recep Tayyip Erdogan está conduzindo a Turquia a uma aventura perigosa na Síria.

A Turquia respondeu às acusações negando ter qualquer presença militar naquele aeroporto sírio antes ou durante o ataque israelense, segundo o Ministério da Defesa.

Historicamente, o interesse turco na Síria está voltado a conter a atividade curda armada, que usava o norte sírio como base para ataques na Turquia. Recentemente, Ancara também apoiou o líder Ahmed al Sharaa, um ex-jihadista que assumiu o controle na Síria após a guerra civil.

Um país com aliados influentes

O partido Likud, de direita, liderado por Netanyahu, transformou essa rivalidade em peça central da campanha para as eleições legislativas de 27 de outubro.

Em cartazes, Erdogan aparece ao lado de líderes como o chefe do Hezbollah, Naim Qasem, e o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, com o slogan: “Eles querem que Netanyahu perca. Não deixem que eles ganhem”.

Erdogan tem criticado a campanha militar israelense em Gaza após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, mas ao contrário de outros países, a Turquia tem aliados poderosos.

O país é membro da OTAN, e Erdogan mantém uma relação respeitosa com o presidente americano Donald Trump, cujo embaixador em Ancara criticou Israel pelo bombardeio recente na Síria.

Ancara e Israel também mantiveram relações comerciais significativas, apesar de ameaças de Ancara de interromper o comércio durante a guerra de Gaza.

Yair Golan, líder do partido israelense de centro-esquerda Democrata, classificou o ataque à base síria como provocador e perigoso, afirmando que o incidente aumenta a possibilidade de confronto com a Turquia e prejudica alianças, incluindo com os Estados Unidos.

A carta antiturca

Erdogan recebeu líderes do movimento palestino Hamas, sendo alvo de críticas em Israel além do governo.

O opositor e ex-primeiro-ministro Naftali Bennett acusou Netanyahu de ignorar a ameaça turca, focando apenas no Irã.

Gallia Lindenstrauss, pesquisadora sênior do Instituto de Estudos de Segurança Nacional em Tel Aviv, comenta que a linguagem agressiva de Erdogan preocupa, pois a Turquia pode permitir que grupos armados atuem na Síria e representem ameaça a Israel.

Ela ressalta que Israel respeita em geral os interesses turcos no norte da Síria, mesmo tendo criado uma zona de segurança no sul do país.

Lindenstrauss acredita que Netanyahu utiliza a questão turca para unir sua base política.

A oposição acusa Netanyahu, com 76 anos, de não ter alcançado suas metas nas guerras recentes, pois não eliminou o Hamas nem derrubou o regime dos aiatolás no Irã, segundo Gönül Tol, pesquisador sênior do Middle East Institute, em Washington.

Erdogan enfrenta críticas nos Estados Unidos, mas uma ação mais dura contra a Turquia poderia fazer Netanyahu parecer irresponsável, disposto a tudo para se manter no poder após quase 19 anos à frente do governo.

Se ultrapassar esse limite, precisa ter consciência de que isso poderá trazer consequências negativas para ele.

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