Economia
De lotéricas a números de emergência: quem ainda usa os serviços da Oi
Embora não seja mais a líder de mercado que já foi no Brasil, a Oi ainda desempenha um papel fundamental em conexões essenciais que não podem ser interrompidas.
Desde casas lotéricas até os principais números de emergência do país, diversas entidades públicas e privadas continuam dependendo da infraestrutura da Oi, que teve sua falência confirmada recentemente pela Justiça do Rio de Janeiro.
Relatório da administração judicial do Grupo Oi revela que a Oi Soluções, divisão focada no mercado corporativo e principal segmento ativo da empresa, finalizou fevereiro com 9,2 mil clientes ativos.
Esse número representa uma queda de 45% em comparação aos 16,9 mil clientes de fevereiro de 2025. Entre esses clientes destacam-se contratos importantes com o setor público, incluindo empresas estatais e governos estaduais e municipais.
Um exemplo é o Governo da Bahia, que no início do mês teve circuitos de dados que suportam câmeras da Secretaria de Segurança Pública impactados após a suspensão da conexão pela Sitelbra, fornecedora da Oi, por atraso nos pagamentos.
A Justiça ordenou a retomada dos serviços em até 12 horas, mas a Secretaria afirmou que não houve interrupção ou alteração no sistema de videomonitoramento, acompanhando de perto os desdobramentos da situação da Oi.
A Caixa Econômica Federal é outra grande cliente da Oi, com 14 contratos que garantem a conectividade de aproximadamente 13 mil lotéricas no país.
Essa dependência foi evidenciada no início do mês, quando a descontinuidade nos links pela Sitelbra afetou lotéricas em 18 estados.
Na área de telefonia, a Oi opera os terminais relacionados a serviços de números de emergência, como 190 (Polícia Militar), 192 (Samu) e 193 (Corpo de Bombeiros), além de canais da Defesa Civil, polícias Civil, Federal, Rodoviária Federal e da Marinha, assim como outros serviços públicos de atendimento 24 horas.
A Prefeitura de João Pessoa, na Paraíba, também figura como cliente da empresa. Um levantamento inicial identificou um contrato de 2022 para serviços incluindo transporte de dados, internet dedicada, banda larga e telefonia fixa.
A administração municipal já está trabalhando na migração gradual para uma rede própria, visando diminuir a dependência de operadoras externas.
Estão sendo avaliados se os contratos ainda vigem, quais unidades continuam sendo atendidas pela Oi e se houve alguma recente interrupção.
Thiago Félix, estudante do curso Futuro do Jornalismo, sob supervisão de Danielle Nogueira

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