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Noruega inicia nova era com rei Haakon VIII
A Noruega dá início a um novo capítulo em sua história neste sábado (29) com a ascensão do rei Haakon VIII ao trono, após o falecimento de seu pai, Harald V, uma figura que unificou o país durante 35 anos.
O país escandinavo decretou luto nacional após a morte de Harald, ocorrida na sexta-feira, aos 89 anos.
Desde sexta, milhares de pessoas depositam flores diante do Palácio Real de Oslo para prestar suas homenagens. Mais de 20.000 pessoas passaram pelo local, onde imensas montanhas de flores enchem a paisagem.
“Todos estão sentindo a perda. O rei era muito respeitado por todos”, comentou Anne Lobbe, 35 anos, em entrevista à AFP.
O novo monarca, Haakon, de 53 anos, sucede seu pai em um momento delicado para a monarquia norueguesa, que tem enfrentado escândalos, alguns envolvendo a nova rainha, Mette-Marit.
Haakon, que, assim como seu pai, desempenhará principalmente funções cerimoniais, compareceu ao Palácio ao lado da filha de 22 anos, Ingrid Alexandra, a nova princesa herdeira, para comunicar oficialmente ao governo o falecimento do rei.
“Adotarei o título de Haakon VIII e continuarei o lema de meus antepassados: ‘Tudo pela Noruega'”, declarou o novo soberano.
Ele tem uma agenda de reuniões com representantes da Igreja da Noruega, do Parlamento e da Suprema Corte, e fará um discurso para a nação em breve.
Uma nova fase
Antes do funeral, cuja data ainda será anunciada e que encerrará o período de luto nacional, o rei tomará o juramento de fidelidade à Constituição na terça-feira, 1º de setembro.
Não é esperado que ocorra uma coroação, prática abolida em 1908, mas ele pode escolher ter seu reinado abençoado numa cerimônia na Catedral de Trondheim, local tradicional das coroações norueguesas entre 1814 e 1906.
O primeiro-ministro, Jonas Gahr Støre, destacou em um breve discurso após se encontrar com o novo rei: “Lembramos do rei Harald pelo seu amor ao povo, seu humor e calor humano, e por sua fé inabalável em nós”.
Harald V estava hospitalizado desde 17 de agosto, enfrentando anemia hemolítica, uma doença que provoca a destruição acelerada dos glóbulos vermelhos.
“Ele foi essencial; um rei que uniu a nação”, disse Line Stousland, 49 anos, enquanto deixava flores no Palácio Real, onde se acumulam também cartões, brinquedos e bandeiras norueguesas.
Várias homenagens internacionais vieram de monarquias e líderes ao redor do mundo, incluindo do então presidente dos EUA, Donald Trump, que honrou a memória de “um homem forte, orgulhoso e muito respeitado”.
Imagem simples e desafios
Harald V, que subiu ao trono em 1991, foi visto como símbolo de uma Noruega aberta e tolerante.
Mesmo diante de tragédias, como o atentado de Anders Behring Breivik em 2011, que resultou em 77 mortes, o rei mantinha o país unido.
O popular Haakon é conhecido por sua humildade, evitando ostentação, e por apoiar causas ambientais e a luta contra o racismo e a homofobia.
No entanto, seu reinado começa em meio a desafios.
Escândalos envolvendo sua esposa, Mette-Marit, ligada ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, o enteado do rei, que tem condenações por estupro, e o relacionamento inusitado da irmã do novo rei, princesa Märtha Louise, com um auto-proclamado xamã americano, afetaram a reputação da monarquia.
Além disso, a família real norueguesa enfrentou um período difícil devido à saúde do falecido monarca e da rainha Mette-Marit, que sofre de uma doença pulmonar incurável e passou por um transplante de pulmão em junho.

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