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Prisão de Milton Leite é estendida por 30 dias em investigação sobre PCC no transporte de SP
A Justiça de São Paulo decidiu ampliar por mais 30 dias a prisão temporária do ex-vereador Milton Leite (União Brasil), que liderou a Câmara Municipal de São Paulo durante seis anos.
A prorrogação foi atendida após pedido da Polícia Civil e posicionamento do Ministério Público ligados à Operação Vectura Corrupta, que investiga suposta infiltração do PCC no sistema de transporte público da capital paulista. Leite é o principal investigado neste inquérito.
Ele se entregou dois dias após o início da operação, em 17 de setembro, e nega envolvimento com o crime organizado.
Milton Leite permanece detido na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo. O juiz Nélson Augusto Bernardes de Souza, responsável pelo caso na Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, ressaltou que a prorrogação é essencial para proteger provas digitais contra manipulação ou destruição.
A defesa de Milton Leite argumentou que não há fatos novos que justifiquem a extensão da prisão, destacando a materialidade já coletada durante as buscas e mencionando as condições pessoais e idade avançada do ex-vereador.
Equipamentos eletrônicos como celulares e computadores foram apreendidos e ainda não foram totalmente acessados pelos investigadores. Por isso, foi solicitado mais tempo para concluir a perícia e obter integralmente os arquivos investigados.
A Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes informou que, devido a bloqueios por senha e criptografia, a análise dos dados não foi finalizada dentro do prazo inicial, o que impede a completa individualização das condutas e a realização dos interrogatórios formais.
Os promotores do Gaeco, braço do Ministério Público no combate ao crime organizado, também apoiaram a prorrogação da custódia temporária dos 13 investigados.
O magistrado destacou o risco concreto de apagamento remoto de informações caso os investigados fossem liberados antes da conclusão das extrações digitais, além da possibilidade de ações para dificultar a investigação.
Também são alvo da apuração Paulo Korek, presidente do Esporte Clube Água Santa; Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato a deputado estadual pelo PL e concorrente à prefeitura de Praia Grande em 2024; Carla de Paula Muller, esposa de Antônio José Muller Junior, conhecido como ‘Granada’, apontado como liderança do PCC; e Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans.
As investigações indicam que Morgado possuía ligações com integrantes do PCC e que sua campanha para prefeito teria sido financiada por interesses ligados à facção.
Carla seria responsável por transmitir mensagens entre o PCC e seu marido, que está preso em Brasília, além de participar da exploração do transporte público.
O ex-presidente da SPTrans teria mantido contatos frequentes com um suposto intermediário da facção para tratar de assuntos relacionados a empresas de transporte, especialmente após a Operação Fim da Linha.
A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas comandado pelo PCC. Essa investigação revelou uma intricada rede de comunicação usada pela facção para coordenar seus membros e projetos políticos para as eleições municipais.
A prisão temporária de Milton Leite foi decretada pela 8.ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo em setembro, com autorização para a deflagração da Operação Vectura Corrupta.
Leite é citado como responsável direto pela operação de algumas empresas controladas pelo PCC, o que ele nega veementemente.
Militares envolvidos no caso, em processo no Tribunal de Justiça Militar, indicaram que Leite seria o verdadeiro dono da empresa Transwolff.
As defesas dos investigados contestam a prorrogação da prisão, argumentando falta de diligências pendentes que justifiquem a manutenção da custódia, atraso na análise dos equipamentos apreendidos e inconsistências documentais.
Um dos advogados destacou a entrega espontânea de seu cliente, ausência de individualização e pediu medidas cautelares em substituição à prisão.
Outra suspeita pediu prisão domiciliar devido aos cuidados necessários a um filho menor e problemas de saúde mental, enquanto um outro defensor ressaltou a idade avançada (83 anos) do cliente e a entrega voluntária de senhas para acesso aos aparelhos, solicitando revogação da prisão.
Para o juiz Nélson Augusto Bernardes de Souza, a divisão dos investigados em grupos distintos que atuam em áreas operacional, financeira, jurídica, empresarial e política aumenta o risco de combinação prévia de versões antes dos depoimentos formais.
O fato de alguns investigados terem permanecido inicialmente desaparecidos ou só se apresentado dias após o início da investigação mostra a existência de canais internos e externos de comunicação entre eles, o que demanda a manutenção da prisão preventiva para garantir a regularidade das provas e o encerramento dos procedimentos policiais.

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