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ONU alerta: mundo pode aquecer 2,6 °C neste século
Os compromissos globais para diminuir os gases que causam o aquecimento do planeta estão muito abaixo das metas do Acordo de Paris, levando o mundo a um aumento de 2,6 °C neste século, conforme alertado pela ONU nesta quarta-feira (21).
O relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) mostra uma grande diferença entre o que se fala e o que se faz para combater o aquecimento global.
Mesmo que os países cumpram seus compromissos mais recentes, a temperatura global pode continuar aumentando 2,6 °C acima dos níveis de antes da era industrial até 2100, segundo o estudo.
Isso ultrapassa muito a meta do Acordo de Paris, que visa manter o aquecimento abaixo de 2 °C, buscando um limite mais seguro de 1,5 °C.
De acordo com o Relatório sobre a Lacuna de Emissões (Emissions Gap Report 2026), a chance de manter o aumento em 1,5 °C foi perdida por décadas de ações insuficientes.
António Guterres, secretário-geral da ONU, alertou que o mundo enfrenta inundações mortais, ondas de calor intensas, incêndios devastadores, vidas perdidas, economias travadas e crescentes desigualdades, sendo os menos responsáveis os mais afetados.
Em 2025, as emissões globais de gases de efeito estufa se mantiveram praticamente no mesmo nível de 2024.
Nenhum país está protegido
Cientistas afirmam que cada grau extra além de 1,5 °C aumenta eventos meteorológicos extremos e pode causar mudanças irreversíveis no planeta.
O planeta já aqueceu cerca de 1,4 °C desde a era pré-industrial, e espera-se que o limite de 1,5 °C seja ultrapassado nos próximos anos.
A perspectiva do Pnuma piorou desde o ano passado, devido à saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e à revisão para cima dos dados históricos de emissões, destacou a coautora do estudo, Anne Olhoff.
Entre os seis maiores emissores mundiais, os dados preliminares para 2025 indicam aumentos nos Estados Unidos, Indonésia e China, e reduções na Índia, Rússia e União Europeia.
Nos Estados Unidos, o aumento de 133 megatoneladas de CO2 equivalente foi o maior do mundo, impulsionado pela maior demanda por eletricidade e geração a partir do carvão.
A Turquia registrou o segundo maior aumento e será sede da cúpula climática da ONU em novembro.
Inger Andersen, secretária executiva do Pnuma, enfatizou que nenhum país está imune aos impactos climáticos, inclusive os Estados Unidos.
Fracasso histórico
O relatório aponta que há 50% de chance de limitar o aquecimento a 1,5 °C até 2100, o que exige atingir um pico de 1,8 °C em 2050 e remover grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera. Isso implica cortes imediatos de 6% ao ano nas emissões até 2035.
Países vulneráveis às mudanças climáticas acusam os maiores emissores de abandonarem as metas do Acordo de Paris.
Jasper Inventor, diretor adjunto de programas do Greenpeace Internacional, declarou que o relatório é um novo alerta enquanto os governos continuam adiando ações.
Mohamed Adow, diretor do centro de estudos Power Shift Africa, chamou isso de um fracasso histórico da liderança política, afirmando que as consequências serão medidas em vidas perdidas, não só em graus de aquecimento.
Inger Andersen declarou que este é o momento decisivo, e é necessário agir agora.
Os países precisam expandir os progressos feitos, destacou Anne Olhoff.
A capacidade global para energias renováveis cresceu três vezes mais rápido do que o esperado, e a energia solar fotovoltaica aumentou sete vezes.
No entanto, ainda existem desafios, especialmente em relação ao uso de combustíveis fósseis e ao desmatamento, áreas onde não se observa progresso suficiente.
Inger Andersen alertou que a redução das emissões e do uso de combustíveis fósseis não está ocorrendo no ritmo necessário.
Por isso, ela exorta todos os governos a adicionar 5.000 gigawatts de energia renovável nos próximos cinco anos.


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