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Macron critica declarações imprudentes de líderes estrangeiros sobre protestos na França

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O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou nesta quarta-feira (21) sua reprovação a comentários considerados imprudentes feitos por líderes estrangeiros sobre os protestos violentos ocorridos recentemente, acusando esses líderes de se beneficiarem politicamente às custas da França. Sua declaração fez menção direta a figuras como Donald Trump e Benjamin Netanyahu.

A França, segunda maior economia da União Europeia, viu no sábado (17) confrontos urbanos severos, os piores dos últimos anos, a poucos meses da eleição presidencial.

Imagens de saques e incêndios em edifícios públicos foram amplamente divulgadas internacionalmente. Líderes globais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, comentaram sobre os eventos, além de grupos de extrema direita europeus.

Trump declarou que a França está sendo dominada e destruída por migrantes, jihadistas e comunistas, enquanto Netanyahu descreveu o país como um reduto do extremismo islâmico. Ambos enfrentam eleições legislativas importantes nas próximas semanas.

Durante uma visita a Doha para assegurar o fornecimento de energia para conter a alta dos preços na França, Macron reprovou tais declarações, chamando-as de “inaceitáveis e imprudentes”.

Ele criticou líderes em campanha eleitoral que, acreditando em informações de inteligência artificial, acabam fazendo campanha contra a França.

Autoridades francesas atribuíram os distúrbios a pequenos grupos de extrema esquerda, aos quais se juntaram criminosos oportunistas, muitos jovens das periferias urbanas, responsáveis por saquear centenas de lojas.

Dos cerca de 2.500 detidos, 174 estão encarcerados, seja à espera de julgamento ou já condenados, conforme informou o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, enquanto muitos ainda prestam depoimentos judiciais.

Os distúrbios ocorreram paralelamente a manifestações em grande escala contra o aumento do custo de vida e por melhores condições para estudantes do ensino médio.

Vários países europeus também registraram protestos contra o aumento do custo de vida, com milhares de estudantes na Grécia saindo às ruas nesta quarta-feira, inspirados pelo movimento na França.

Movimentos como os “coletes amarelos”, que já impactaram o governo Macron em anos anteriores, e os estudantes convocaram novas manifestações para o próximo sábado.

Para prevenir novos confrontos e críticas, o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, anunciou uma intensa presença policial.

Na última quarta-feira, pela terceira noite seguida, foi decretado toque de recolher em bairros parisienses com histórico de distúrbios.

Além das ações de segurança, o governo enfrenta pressão de sindicatos e da oposição de esquerda para responder às insatisfações sociais.

Lecornu reuniu-se com líderes sindicais, que reclamaram da ausência de propostas concretas para suas demandas.

A líder do sindicato CGT, Sophie Binet, afirmou que chegou a hora de intensificar as mobilizações e que a greve deve ser protagonista no dia 5 de novembro.

O ministro da Educação, Édouard Geffray, informou que irá apresentar as primeiras decisões às organizações estudantis na próxima segunda-feira.

No campo econômico, uma resposta baseada no aumento das despesas públicas se mostra complicada, pois o governo minoritário busca realizar ajustes fiscais rigorosos para equilibrar as finanças e acalmar os mercados.

O rendimento dos títulos franceses de 10 anos ultrapassou a marca simbólica de 5% pela primeira vez desde 2002, indicando custos maiores para financiar o país, e o prêmio de risco da França está em seu nível mais alto desde 2011.

Segundo o economista-chefe da Moonfare, Mike O’Sullivan, os recentes conflitos afetaram a reputação internacional da França.

Essa pressão econômica pode impactar diretamente o bolso dos cidadãos franceses nas próximas semanas, que já demonstram preocupação com seu poder de compra, especialmente devido ao aumento dos preços dos combustíveis causado pelo conflito no Oriente Médio.

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