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Suspeito de ataque racista na França é transferido para unidade psiquiátrica
O homem acusado de assassinar uma pessoa e ferir outras cinco em um ataque racista nos arredores de Paris na última sexta-feira foi liberado da prisão preventiva e enviado para uma unidade psiquiátrica, conforme anunciado pela Procuradoria Nacional Antiterrorismo (Pnat) neste domingo (25).
A prisão do suspeito pelo ataque que resultou em uma morte e cinco feridos foi suspensa por razões psiquiátricas, segundo informou a Pnat.
“Após uma avaliação psiquiátrica realizada na noite de sábado, a prisão preventiva foi anulada”, explicou a Procuradoria. “De acordo com o laudo do especialista, o indivíduo foi encaminhado para a ala psiquiátrica da Polícia em Paris para um período de observação que poderá durar até 48 horas”, completou.
Essa internação visa verificar se o estado mental do acusado permite a continuidade dos interrogatórios.
No ataque, classificado como um ato terrorista motivado por racismo pelo presidente Emmanuel Macron, faleceu Pengo Bossio Wangi, um francês de 26 anos com origens congolesas. Entre os cinco feridos está uma menina de 12 anos que foi baleada oito vezes e permanece em estado grave.
A Procuradoria revelou ainda que exames toxicológicos indicaram a presença de maconha e cocaína no organismo de Kévin T., 39 anos.
Além disso, o suspeito tinha diagnóstico prévio de esquizofrenia e estava sob tratamento médico, segundo fontes próximas às investigações.
O advogado da família da vítima, Yassine Bouzrou, expressou surpresa com a decisão e destacou um padrão preocupante: quando o ato é cometido por extrema direita, a questão psiquiátrica é rapidamente considerada.
Ele enfatizou que, embora perícia psiquiátrica e irresponsabilidade penal sejam princípios essenciais do sistema jurídico, “deve haver isonomia: mesmas avaliações e prazos, independentemente do perfil ideológico do réu”.
As autoridades confirmaram a prisão de quatro pessoas ligadas ao suspeito, incluindo seus pais, conforme apurado por uma fonte do caso.
Na sexta-feira pela manhã, Kévin T. disparou contra várias pessoas a partir de seu carro em Trappes e La Verrière, áreas próximas a Paris.
O agressor possuía antecedentes criminais, porém não estava sob vigilância dos órgãos de inteligência. No momento da prisão, portava uma submetralhadora e gás lacrimogêneo, informaram fontes policiais.
Também foram encontrados em sua residência, na cidade de Plaisir, três botijões de gás com chaves elétricas e temporizador, indicando uma possível intenção de detonar o local.
Durante as buscas, os investigadores acharam um exemplar do livro “Mein Kampf”, escrito pelo ditador nazista Adolf Hitler, juntamente com uma Bíblia e um Alcorão.


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