Brasil
Votação estendida tem pouca adesão e causa insatisfação entre eleitores
Após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de estender o horário de votação até às 19h, muitos eleitores que não haviam conseguido votar viram na medida uma chance de exercer seu direito. Contudo, vários enfrentaram portas fechadas, gerando confusão e insatisfação.
Alguns mesários só foram informados da extensão após o encerramento das seções, impossibilitando reabrir as votações.
No Rio de Janeiro, na zona sul, no Colégio Pensi, pelo menos sete eleitores chegaram após as 17h, quando a escola fechou os portões. Eles receberam uma Declaração de Comparecimento sem Voto assinada pelo presidente da seção eleitoral, certificando que tentaram votar, mas não conseguiram.
Uma das eleitoras, Manuela Tunas, contadora que viajou do Uruguai para votar, perdeu o voo e chegou às 17h. “Eu cheguei para tentar votar, já que a votação foi prorrogada, mas não consegui. É injusto que algumas seções tenham ficado abertas e outras não”, afirmou.
A estudante Gabriele Eduarda de Azevedo, que estava viajando, também relatou a frustração: “Eu não esperava votar, mas quando soube da prorrogação achei que conseguiria. É frustrante; espero que a hora estendida seja realmente respeitada”.
A aposentada Gina Cláudia Nunes encontrou as portas fechadas na sua seção e foi orientada a tentar votar em outra escola, mas foi informada que não poderia votar fora da zona designada. “Foi uma frustração total. Tenho 70 anos, votei no primeiro turno e queria votar também no segundo”, lamentou.
Em Brasília, a presidente de seção eleitoral, Bruna Lourenço, descreveu a situação: “Tudo estava tranquilo até as 17h. A escola tocou o sinal, mas continuamos aguardando o coordenador para fechar as urnas. No entanto, não tivemos informações claras sobre a prorrogação. Quando soubemos, já era tarde. Foi uma grande confusão”.
Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, as urnas foram fechadas às 17h, antes que a informação da prorrogação chegasse aos mesários.
Em São Paulo, na seção 309 da 6ª Zona Eleitoral, o mesário voluntário Lucas Suassuna relatou que, após as 16h40, quase não havia movimento. Ele foi avisado para manter a seção aberta até às 19h, porém, apenas poucas pessoas compareceram neste período estendido.
Já em Campinas, a advogada Amanda Vitorino votou pela manhã. Ao saber da prorrogação, correu para as seções próximas, mas encontrou as urnas fechadas. Conversando com mesários, entendeu que as urnas foram fechadas às 17h por falta de comunicação sobre a extensão do horário. “Registrei os impactos da decisão tardia, pois na prática, a prorrogação não ocorreu”, destacou.


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