Brasil
Governo aumenta apuração de violência política no segundo turno
O governo federal comunicou na quarta-feira (28) que intensificará a investigação de casos de violência política registrados no último final de semana em todo o país. Foram contabilizados 45 incidentes, incluindo 10 homicídios, vinculados à intolerância eleitoral.
As agressões ocorreram entre sábado (24) e domingo (25), logo após a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e membros do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) detalharam os casos em coletiva de imprensa.
“Não haverá impunidade para esses atos. Vivemos uma democracia, e como em qualquer eleição, há um vencedor e um perdedor. Isso jamais pode ser desculpa para crimes ou agressões, muito menos assassinatos”, declarou Boulos.
Foram contabilizadas 47 vítimas, que incluem:
- 10 mortes, entre elas três indígenas;
- Sete atropelamentos intencionais;
- 14 agressões físicas graves;
- Cinco ataques com armas de fogo;
- Cinco casos de violência contra povos indígenas;
- Seis abusos de autoridade e violência policial.
Segundo o ministro, as vítimas são principalmente apoiadores do presidente Lula, e os agressores, partidários do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro.
Os estados com maior número de registros são Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina.
Para avançar nas investigações, o governo anunciou que a Polícia Federal abrirá inquéritos para apurar crimes de violência política de gênero, crimes eleitorais e violações dos direitos humanos.
Denúncias serão encaminhadas à Procuradoria Geral da República (PGR) e às corregedorias das Polícias Militares e Civis, bem como aos Ministérios Públicos estaduais, especialmente quando envolverem policiais.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, explicou que os casos envolvem diferentes tipos de crimes, incluindo racismo, homicídio e lesão corporal, e que já existem dezenas de inquéritos em andamento.
A pasta também se comprometeu a combater a violência no ambiente digital, aplicando o Marco Civil da Internet, que obriga plataformas a removerem conteúdo que envolva crimes graves como discriminação e discursos de ódio, sem necessidade de notificação prévia.
Ademar Borges ressaltou que essas plataformas têm a responsabilidade civil de garantir o filtro e a remoção desses conteúdos.
Casos de maior destaque
Dentre os episódios mais notórios está o ataque à vereadora de Montes Claros (MG), Iara Pimentel (PT), que foi atingida e perdeu a consciência durante um ato político. Seu carro de som foi atacado por apoiadores de Bolsonaro.
Em outra ocorrência, Eliseu Pedrozo dos Santos, de 38 anos, faleceu após ser atropelado durante as comemorações da vitória de Lula no Paraná. O motorista estava embriagado e foi preso.
No mesmo estado, a pesquisadora Renata Kempf foi detida durante uma celebração pró-Lula, tendo familiares denunciado uso excessivo da força policial.
Em Santos, o engenheiro Marcelo de Oliveira da Rocha, de 30 anos, morreu após ser espancado na madrugada de sábado. A polícia conduz o caso como latrocínio, mas a motivação política ainda não foi confirmada.
Há também denúncias de possível envenenamento da água de comunidades Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul após as eleições. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a deputada federal Célia Xabriabá (PSOL-MG) relataram que em mensagens de áudio, um dos envolvidos sugeriu eliminar essas populações através da água.

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