Brasil
HRW denuncia execuções na operação policial no Rio
Uma análise da ONG Human Rights Watch revelou que agentes policiais no Rio de Janeiro manipularam suas câmeras corporais e possivelmente cometeram execuções intencionais durante a operação mais letal já registrada no país, que resultou em 122 mortes há um ano.
Imagens de inúmeros corpos alinhados e nus em uma favela carioca ganharam repercussão mundial logo após a intervenção policial. Na época, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, classificou a ação como bem-sucedida.
Após um ano de investigação, a HRW concluiu que a operação parecia planejada para causar mortes. A investigação incluiu a análise de mais de 4.000 horas de vídeos de câmeras corporais, os laudos de autópsia de todas as vítimas e centenas de filmagens feitas por moradores locais, além de entrevistas com testemunhas, familiares e especialistas.
Os registros mostraram que nenhuma das mortes foi capturada pelas câmeras. Somente um quarto dos 2.500 policiais envolvidos utilizavam os equipamentos, e muitos apagaram ou desligaram as câmeras, ou as deixaram nos veículos.
Os laudos indicam que mais de 40% das vítimas não policiais foram atingidas na cabeça, e quase 75% sofreram pelo menos um disparo nas costas. Um homem chegou a ser decapitado após ser baleado.
Especialistas independentes consultados pela HRW avaliaram que várias mortes foram resultado de execuções intencionais. A proporção de 17 mortes para cada ferido levanta sérias dúvidas sobre o predomínio do uso letal da força policial em detrimento de prisões.
Os vídeos também mostram policiais agredindo e ameaçando de morte detidos. César Muñoz, diretor da Human Rights Watch no Brasil, destacou que essas práticas abusivas prejudicam a segurança pública e intensificam o ciclo de violência, colocando em perigo moradores e agentes.
A ONG solicitou às autoridades federais uma investigação rigorosa e independente para apurar as decisões que resultaram na alta letalidade da operação, bem como a responsabilização dos envolvidos.
Estima-se que as forças de segurança brasileiras causem mais de 6.000 mortes anualmente, conforme apontado pela HRW.

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