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Banco Master fez pagamentos de R$ 109 milhões a empresas ligadas a advogado preso

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O Banco Master revelou ter pago R$ 109 milhões para empresas associadas ao advogado Daniel Monteiro, próximo do banqueiro Daniel Vorcaro, conforme documentos da Receita Federal. Esses valores foram repassados entre 2022 e 2025.

Daniel Monteiro está detido acusado de gerenciar fundos para desviar recursos do Banco Master e facilitar o pagamento de propinas a autoridades. A investigação sugere que ele criava empresas intermediárias para complicar o rastreamento de dinheiro e mascarar as operações financeiras.

Além disso, parte dos recursos foi destinada ao escritório de advocacia onde Daniel Monteiro atuava como sócio, bem como a uma consultoria. A defesa de Daniel Monteiro nega categoricamente a acusação de que ele fosse um “operador financeiro” ou que tivesse intenção de desviar valores do banco para o qual prestava serviços jurídicos e de consultoria.

Segundo a defesa, todas as notas fiscais emitidas pelo escritório e pela empresa de consultoria Mytra se referem a serviços legítimos, devidamente prestados e declarados.

A defesa de Daniel Vorcaro não se pronunciou.

O escritório de advocacia de Daniel Monteiro recebeu R$ 79 milhões, valor inferior apenas ao do escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, que teve R$ 80,2 milhões em pagamentos registrados em 2024 e 2025.

Além do escritório, a Mytra Consultoria recebeu R$ 30 milhões do Banco Master, divididos em R$ 7 milhões na declaração de 2024 e R$ 22 milhões na de 2025.

Fundada em 2009 e com capital social de R$ 263 mil, a Mytra está situada em Barueri, região metropolitana de São Paulo. De acordo com a Receita Federal, ela presta serviços de cobranças, informações cadastrais e intermediação de negócios.

O telefone e e-mail cadastrados na empresa são os mesmos do escritório de advocacia de Daniel Monteiro. Não há registro de páginas oficiais ligadas à Mytra.

Antes da prisão, além das empresas ligadas diretamente a Daniel Monteiro, as apurações indicaram pagamentos a empresas vinculadas indiretamente a ele, administradas por familiares, como seu irmão e cunhado.

Essas empresas, inicialmente criadas por fornecedores de sociedades fictícias, tiveram suas características alteradas rapidamente para funcionar como canais para receber recursos de fundos associados à REAG e adquirir imóveis.

De acordo com o ministro André Mendonça, do STF, que autorizou a quarta fase da Operação Compliance Zero, seis empresas fictícias foram usadas para receber valores da REAG e pagar por imóveis avaliados em R$ 146 milhões prometidos por Daniel Vorcaro ao ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.

Segundo a Polícia Federal, todas essas empresas tinham o mesmo endereço do escritório de Daniel Monteiro, que foi alvo de busca e apreensão. Para o ministro, esse esquema revela o controle efetivo do advogado sobre os mecanismos de ocultação dos recursos.

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