Economia
Esperança de paz no Oriente Médio estimula alta na Bolsa, mas queda de 10% do petróleo pesa
O apetite global por ativos de risco impulsionou o Ibovespa nesta sexta-feira, 17, embora a forte queda do preço do petróleo tenha limitado o avanço, em um dia com agenda econômica reduzida e vencimento de opções na B3. O dólar recuou, chegando a atingir a mínima intradiária de R$ 4,9508, pressionando para baixo os juros futuros.
Kevin Oliveira, sócio e assessor da Blue3, ressalta que “a diminuição do petróleo enfraquece o dólar e, como essa commodity é fundamental para a Bolsa brasileira, tem grande impacto”, citando a influência das ações da Petrobras no índice.
O Ibovespa iniciou o pregão com alta modesta de 0,03%, chegando a renovar máximas com um salto de quase 1.800 pontos. Esse otimismo acompanha o cenário externo, depois do anúncio do Irã de que o tráfego de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz — que responde por cerca de 20% do petróleo mundial — permanecerá totalmente liberado durante o restante da trégua vigente no Líbano.
Após a notícia, o preço do petróleo caiu expressivos 10%, afetando negativamente as ações ligadas ao setor no Brasil. A Petrobras, por exemplo, recuava cerca de 6% por volta das 11h.
Entre as ações com maiores perdas, a Prio despencava 7,50%, enquanto empresas do setor de mineração, como a Vale, subiam após o minério de ferro registrar alta de 0,39% na China e refletir dados positivos de produção e vendas no primeiro trimestre.
Alison Correia, analista de investimentos e cofundador da Dom Investimentos, explica que o mercado brasileiro é o que mais se beneficia entre países emergentes devido ao cenário local de juros elevados, mesmo em meio à euforia global por risco.
A liberação do Estreito de Ormuz sucede o acordo entre Líbano e Israel, elevando expectativas quanto a um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o que deve levar a novas rodadas de negociação sobre os conflitos geopolíticos ainda neste fim de semana, conforme destaca Bruno Takeo, estrategista da Potenza. Ainda assim, ele alerta que o petróleo continua pressionando a Petrobras, e é necessário acompanhar o impacto das informações sobre o bloqueio naval americano a portos iranianos que segue ativo.
As atenções também estão voltadas para as autoridades do Federal Reserve nos EUA. Paralelamente, no mesmo país, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, concederá entrevista em Washington, local onde o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa das reuniões de primavera do FMI e Banco Mundial.
O presidente norte-americano, Donald Trump, classificou o dia como “histórico para o Líbano” e previu que o conflito com o Irã “deve chegar ao fim muito em breve”. Já o Irã considerou a trégua entre Israel e Líbano um avanço dentro de um entendimento mais amplo com Washington para suspender a guerra no Oriente Médio, embora ainda não haja data para o reinício do diálogo entre EUA e Irã.
Os juros futuros caíram mais de 20 pontos, acompanhando a queda do petróleo e do dólar, refletindo também a redução nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano com a reabertura do Estreito de Ormuz. Em Nova York, as bolsas avançaram mais de 1%.
Kevin Oliveira destaca que ações de bancos, relevantes no Ibovespa, registraram alta devido à menor percepção de risco e à redução dos juros futuros. Apesar de o índice não registrar um avanço expressivo hoje, alguns setores tiveram ganhos significativos.
Na quinta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 0,46%, aos 196.818,59 pontos, acumulando retração semanal de 0,27%.
Às 11h18 desta sexta, o índice subia 0,09%, aos 196.997,44 pontos, após ter registrado alta de 0,94% e atingir a máxima intradiária de 198.665,65 pontos. A abertura ocorreu na mínima de 196.880,51 pontos, com leve alta de 0,03%.
A ação da Vale avançava 1,69%. Entre os bancos, o Bradesco PN apresentava o maior ganho, de 2,78%. As ações da Petrobras recuavam entre 6,44% (PN) e 6,88% (ON), enquanto a Prio liderava as perdas com queda de 7,52%.

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