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Estamos pagando a conta pela crise no BRB e Master, diz bancário

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A operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal em novembro de 2025, revelou um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o banco Master, abalando a confiança na instituição pública do Distrito Federal. Quase 5 mil funcionários do BRB vivem um ambiente de ansiedade e incertezas.

“Estamos todos, sociedade e trabalhadores, pagando a conta por uma decisão política de salvar o Master”, afirmou Daniel Oliveira, diretor do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal e funcionário concursado do BRB desde 2008. Segundo ele, o sindicato tem recebido relatos de tensão, especialmente entre analistas que participaram das negociações com o banco do banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março. Essas negociações resultaram na compra de bilhões de reais em créditos do Master e na tentativa de aquisição de parte do banco por R$ 2 bilhões, operação negada pelo Banco Central dois meses antes da liquidação do Master.

A crise no BRB, que existe desde 1964, se agravou com a prisão preventiva do ex-presidente Paulo Henrique Costa (PHC) na quarta fase da operação, em 16 de outubro. Clientes procuram as agências preocupados com a segurança do banco, e alguns pensam em retirar seus investimentos. Funcionários enfrentam apreensão e dúvida sobre seus empregos, sem informações claras.

Os trabalhadores sentem indignação e desânimo, agravados pelo fato do sindicato ter denunciado irregularidades nas negociações com o Master ao Banco Central e à Comissão de Valores Mobiliários em novembro de 2024. Cerca de 3 mil aposentados do BRB também enfrentam ansiedade, pois seus planos de saúde e previdência dependem da saúde do banco. A Previdência do BRB mantém um patrimônio separado de mais de R$ 4,39 bilhões e é gerida de forma independente.

O BRB administra mais de R$ 80 bilhões em ativos de 10 milhões de clientes e tenta superar perdas com aportes de curto prazo. A agência Moody’s rebaixou a nota do banco, citando a necessidade urgente de capital para cumprir suas obrigações. O banco não tem feito declarações públicas enquanto realiza auditorias e analisa seu balanço de 2025.

O novo presidente, Nelson de Souza, faltou a uma reunião na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do DF, causando revolta entre os deputados. Thiago Manzoni, presidente da comissão, afirmou que a ausência foi um desrespeito aos cidadãos do DF.

A crise freou o plano de expansão do BRB para outros estados, iniciado na gestão de PHC, que tinha levado o banco a captar folhas de pagamento e abrir agências em várias cidades, como Bahia e São Paulo. Projetos importantes, como o Nação BRB Fla, com quase 4 milhões de clientes, perderam força. Aproximadamente 400 aprovados no concurso de 2022 aguardam convocação, que depende da situação do banco.

A governadora Celina Leão, que assumiu em março após Ibaneis Rocha disputar o Senado, disse que poderá fechar agências fora do DF para focar na região. Ela garantiu que o banco não vai falir e que uma solução será tomada em até 30 dias, após reunião com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Daniel Oliveira criticou o prazo, pedindo capitalização imediata pelo GDF para recuperar a confiança e manter o controle público.

O economista e professor da Universidade de Brasília, César Bergo, alerta que a ausência de divulgação do balanço de 2025 piora a crise, sujeitando o BRB a multas diárias altas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários. Ele defende transparência e ações firmes das autoridades. Para Bergo, as soluções envolvem capital público do GDF, empréstimos do FGC ou de bancos, federalização ou privatização, mas é fundamental um anúncio rápido para evitar o colapso.

Em nota, a governadora comentou a prisão de PHC: “Os fatos estão sob análise do Poder Judiciário, com total colaboração das autoridades.” Até o momento, o BRB e a defesa de PHC não se manifestaram.

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