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Lula diz que Trump não pode ameaçar países

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou novamente as ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Irã, Cuba e Venezuela, afirmando que a comunidade internacional não permite que a Casa Branca ameace outros países simplesmente por discordar deles.

“Trump não tem o direito de acordar e decidir que pode intimidar uma nação. Ele não possui essa autoridade. A comunidade global não concede esse poder. Nem mesmo a Constituição dos Estados Unidos ou a carta da ONU garantem tal prerrogativa”, declarou Lula.

Na semana anterior, Trump havia ameaçado cometer um crime de genocídio contra o Irã caso o país não aceitasse as condições dos EUA para encerrar o conflito no Oriente Médio.

Em entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, publicada em 16 de junho, o presidente brasileiro também comentou sobre as ameaças e intervenções dos EUA em Cuba e na Venezuela.

“Nenhuma nação tem o direito de violar a integridade territorial de outra. Tampouco tem o direito de desrespeitar a soberania alheia”, reforçou Lula.

Ele ressaltou que o mundo carece de lideranças que assumam a responsabilidade de governar com a consciência de que o planeta não pertence a um único país. “Por mais significativo que seja um país, os maiores devem agir com mais responsabilidade para preservar a paz global”, acrescentou.

Possibilidade de conflito global

Lula expressou preocupação com a chance de uma terceira guerra mundial devido à postura intervencionista de Trump.

“Uma terceira guerra mundial seria uma tragédia dez vezes mais devastadora que a Segunda Guerra Mundial”, alertou.

Quando questionado sobre essa possibilidade, respondeu: “Se continuarem pensando que podem disparar contra quem quiserem todas as manhãs, essa guerra pode se tornar realidade”.

Bloco a Cuba

Lula também condenou o endurecimento do embargo energético contra Cuba, que já dura quase 70 anos, destacando que o país caribenho tem grande importância para o Brasil.

“Não há justificativa para um bloqueio de sete décadas. Se aqueles que não aprovam o regime cubano se preocupam com o povo, por que não demonstram a mesma preocupação pelo Haiti, que não é comunista?”, questionou.

O Haiti enfrenta uma crise econômica e social profunda há anos, com gangues armadas controlando grande parte de sua capital, Porto Príncipe.

Para Lula, Cuba necessita de oportunidades para melhorar sua situação interna. “Como pode um país sobreviver sem acesso a alimentos, combustível e energia?”, indagou.

Sobre a Venezuela

O presidente brasileiro afirmou que a posição do seu governo é apoiar a realização das eleições em julho de 2024 na Venezuela e que o resultado seja respeitado para que haja estabilidade no país vizinho.

“Não podemos aceitar que os EUA pensem que têm autoridade para administrar a Venezuela”, enfatizou.

Questão das tarifas

Referindo-se às tarifas impostas pelos EUA sobre alguns produtos brasileiros entre abril e agosto de 2025, Lula comentou sobre um diálogo tido com Trump.

“Nunca pedirei que ele concorde ideologicamente comigo, assim como também não concordo com ele. Dois chefes de Estado não precisam compartilhar a mesma ideologia. Meu foco é pensar nos interesses do meu país em relação aos Estados Unidos e vice-versa”, afirmou.

Após negociações em novembro de 2025, os EUA retiraram as tarifas de 40% sobre diversos produtos brasileiros. Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos EUA eliminou as tarifas impostas por Trump a múltiplos países, atendendo a pedidos de empresas americanas prejudicadas.

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