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Governo e oposição se unem para pedir CPI do Banco Master

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A revelação sobre as negociações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro causou uma crise que aproximou governistas e oposicionistas no Congresso na defesa pública da criação de uma CPI para investigar o Banco Master.

Nos corredores do Senado, contudo, aliados do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), veem essa ofensiva mais como um recurso de disputa política e comunicação pública do que uma articulação concreta para instaurar a comissão investigativa, chegando a descartar a possibilidade de avançar com sua criação.

Essa nova pressão surge após o Intercept Brasil divulgar mensagens, áudios e documentos que indicam negociações entre Flávio e Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A negociação envolvia aportes de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões) para a produção.

Após o escândalo, Flávio Bolsonaro fez da defesa da CPI uma das principais estratégias de sua pré-campanha presidencial. Em nota, após reunião emergencial com seu núcleo político e jurídico no PL, ele alegou buscar apenas um patrocínio privado para uma obra privada sobre a história de seu pai, reafirmando a necessidade da instalação da comissão parlamentar.

“Isso contrasta com as relações duvidosas do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reforço: CPI do Master já”, destacou.

Nos bastidores das campanhas, acredita-se que a defesa pela investigação pode ajudar Flávio a se afastar politicamente do escândalo, transferindo parte do desgaste para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No governo, a reação seguiu na direção oposta, tentando ligar o escândalo do Banco Master ao bolsonarismo em uma ofensiva apelidada de “Bolso Master”.

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) ressaltou que o episódio reforça a urgência da instalação da comissão.

“Agora é evidente o acordo no Congresso para proteger corruptos do Centrão e da extrema-direita”, afirmou.

Apesar do discurso ácido, líderes do Congresso avaliam que a disputa atual é mais sobre quem ficará associado politicamente ao escândalo do Banco Master às vésperas da corrida presidencial de 2026.

Presidente do Congresso não deve liberar CPI

A resistência de Davi Alcolumbre quanto à CPI do Banco Master é antiga e permanece. Na última sessão conjunta do Congresso, ele optou por não ler o requerimento para a criação da comissão, um passo essencial para oficializar a investigação.

Essa decisão foi entendida como uma tentativa de evitar novos conflitos políticos em um período em que o Congresso já enfrenta tensões relacionadas às investigações do sistema financeiro.

Recentemente, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), aliado próximo de Alcolumbre, virou alvo de busca e apreensão, o que esfriou ainda mais a possibilidade de abertura da CPI.

Ao não realizar a leitura do pedido, Alcolumbre também estabeleceu um precedente: mostrou que, mesmo com apoio público e assinaturas suficientes, a abertura de uma CPI pode depender da conveniência política da presidência do Congresso.

Fontes próximas afirmam que esse cenário não mudou após o episódio envolvendo Flávio e Vorcaro. Não há previsão de nova sessão conjunta no curto prazo nem disposição política para destravar a comissão.

O temor é que a CPI cause desgaste político amplo às lideranças do Centrão, prejudicando as eleições deste ano.

Ao redor de Alcolumbre, acredita-se que tanto governistas quanto oposicionistas passaram a apoiar a CPI mais como discurso político do que por prioridade institucional.

Aliados do presidente do Congresso salientam que nos últimos dias nenhum senador procurou formalmente Alcolumbre para requerer a instalação da CPI, apesar da pressão pública após a divulgação da reportagem.

Eles também lembram que a oposição havia concordado, em negociações internas, em não pressionar pela leitura imediata do requerimento para permitir que o veto da dosimetria aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023 fosse votado sem deliberação no colegiado.

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