Conecte Conosco

Mundo

Hezbollah usa drones baratos e fibra óptica para desafiar Israel

Publicado

em

Pequenos, acessíveis e simples de operar, os drones explosivos conectados por fibra óptica empregados pelo Hezbollah têm causado vítimas e colocado em alerta as forças militares de Israel, reconhecidas por sua força global.

Anteriormente focado principalmente no disparo de foguetes contra Israel, o grupo libanês pró-Irã adotou agora o uso intensivo de veículos aéreos não tripulados, mesmo com uma trégua vigente desde 17 de abril no sul do Líbano.

Em apenas uma semana, dois soldados e um contratado civil israelenses perderam a vida devido a esses drones.

Esses equipamentos são diferentes dos drones tradicionais que dependem de GPS ou rádio, e, portanto, podem ser bloqueados facilmente. Em vez disso, estes são conectados à base de lançamento através de um cabo de fibra óptica que pode se estender até 50 km.

O operador controla o drone por meio de uma visão em primeira pessoa, utilizando uma tela ou óculos de realidade virtual, sem exigir treinamento especializado.

Orna Mizrahi, especialista em assuntos libaneses do Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS) de Tel Aviv, disse que o controle é “tão simples quanto usar um brinquedo infantil”. Ela ainda destacou que esses drones são facilmente adquiridos em diversas plataformas online.

Esses aparelhos representam armas típicas em guerras assimétricas entre grupos armados e exércitos muito mais tecnificados, demonstrando potencial para causar grandes danos e se tornando um desafio para Israel, especialmente no atual contexto de conflito regional intensificado desde 28 de fevereiro devido a ataques dirigidos ao Irã com o apoio dos Estados Unidos.

Um oficial militar israelense relatou que a experiência obtida na Ucrânia nos últimos três anos foi valiosa para lidar com esses drones. “Utilizamos diversas tecnologias para combatê-los, mas nenhuma é completamente eficaz”, reconheceu.

Yousef al Zein, responsável pelas relações com a imprensa do Hezbollah, declarou que esta é uma “tática” da organização. “Conhecemos a superioridade do inimigo, mas também exploramos seus pontos vulneráveis”, afirmou.

Resistência e falta de resposta adequada

Especialistas ucranianos, que se tornaram referências em drones desde a invasão russa em 2022, ofereceram sua expertise a Israel ainda naquele ano, mas, segundo o ex-ministro da Defesa Oleksi Reznikov, o país não tomou medidas eficazes contra a ameaça.

Orna Mizrahi avaliou que o exército israelense não estava preparado para enfrentar esses dispositivos simples e explosivos.

Arié Aviram, especialista do INSS, explicou que, por não dependerem de transmissões via rádio, esses drones são difíceis de detectar e neutralizar eletronicamente.

Embora Israel disponha de armamentos avançados, como mísseis interceptadores, aviões e helicópteros, derrubar drones tão baratos não é sustentável financeiramente.

O desenvolvimento de sistemas a laser para interceptar armas de curto alcance, como foguetes e drones, pode ser uma solução viável se implementado amplamente, segundo Aviram.

Recentemente, o Ministério da Defesa israelense abriu uma licitação para tecnologias inovadoras que possam combater a ameaça dos drones controlados por fibra óptica.

Enquanto isso, os métodos atuais são primitivos: soldados detectam os drones com radares ou visualmente e usam redes para capturá-los — uma técnica também utilizada na Ucrânia.

Nas redes sociais, o jornalista israelense Amit Segal publicou imagens de veículos militares protegidos por malhas semelhantes a mosquiteiros, um contraste marcante com a avançada tecnologia que o exército israelense costuma exibir.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados