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Economia

Kast revela plano de reformas para impulsionar a economia chilena

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O presidente do Chile, José Antonio Kast, revelou na última quarta-feira (16) um conjunto de reformas legislativas com mais de 40 medidas destinadas a quebrar um ciclo de estagnação econômica. Entre as propostas, destaca-se uma redução significativa do imposto sobre as empresas, proposta que tem sido contestada pela oposição de esquerda.

Desde antes de assumir a presidência em março, o líder de direita Kast prometeu instaurar um “governo de emergência”. Entre suas ações iniciais estão cortes nos gastos ministeriais, suspensão de decretos ambientais que seu governo acredita prejudicar empregos, além de ajustes severos em fundos que estabilizam o preço dos combustíveis, os quais chegaram a subir até 60%.

“Nos próximos dias, enviaremos ao Congresso o projeto de lei que fomenta a colaboração e o crescimento econômico”, declarou Kast, em seu primeiro pronunciamento à nação após seu casamento. Ele ressaltou que o objetivo é romper com ciclos políticos anteriores, e não repeti-los.

A principal proposta do plano é reduzir gradualmente o imposto de renda das empresas de 27% para 23%, alinhando-se à média dos países desenvolvidos. O pacote também traz medidas como o levantamento dos danos em mais de mil residências afetadas por incêndios florestais, incentivos fiscais como a redução temporária do IVA para imóveis novos, e estímulos para a repatriação de capitais.

A aprovação dessas medidas no Congresso será um grande desafio para Kast. Embora a direita possua uma maioria parlamentar relativa, não tem votos em quantidade suficiente para garantir a aprovação imediata.

O presidente estabeleceu como metas que, até o término de seu mandato em 2030, a taxa de desemprego caia para 6,5%, a economia cresça em torno de 4% ao ano — um avanço considerável em relação aos 2,5% do ano anterior — e que as finanças públicas estejam equilibradas.

“Concordo com a redução do imposto sobre as empresas porque estimula investimentos”, opinou Juan González, estudante de mecânica de 22 anos, após ouvir a mensagem do presidente no centro de Santiago.

Embora o plano busque revigorar a economia chilena, classificada entre as mais estáveis da América Latina, a abrangência e diversidade das medidas fizeram com que críticos o chamassem de “Lei Tutti frutti”.

A oposição questiona a simultaneidade entre a alegada escassez de recursos públicos e as reduções tributárias que, segundo ela, impactariam negativamente a arrecadação.

Segundo a líder da Frente Ampla, Constanza Martínez, “enquanto se promovem cortes de impostos que favorecem sobretudo os setores de maiores rendimentos, o gasto público é reduzido, prejudicando principalmente a classe média e os trabalhadores”.

De acordo com o analista político Diego Arellano, professor na Universidade do Desenvolvimento, este projeto é “fundamental para o êxito do governo” de Kast. O presidente optou por agrupar várias medidas num único texto, pois assuntos isolados enfrentariam dificuldades parlamentares, especialmente a redução do imposto corporativo.

O governo justifica a reforma como uma resposta à herança econômica deixada pela administração do esquerdista Gabriel Boric, que não alcançou metas fiscais nos últimos três anos e viu a dívida pública ultrapassar 40% do PIB.

O ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, defendeu: “Não é um corte de imposto para os ricos, mas uma redução para que as empresas tenham mais recursos para investir”. Ele estimou que aproximadamente 150 mil empresas serão beneficiadas.

O economista Juan Ortiz comentou que o país não atravessa uma crise fiscal, mas enfrenta um enfraquecimento gradual, o que exige ações imediatas.

Com o aumento expressivo dos preços dos combustíveis, que impactou o custo de vida, a preocupação econômica substituiu o avanço da criminalidade como principal tema para a população, conforme pesquisas recentes.

Kast concluiu: “Estamos cumprindo o compromisso de um governo de emergência. Não se trata de discurso, mas de ações concretas que transformam a vida de milhões de chilenos.”

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