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Mentiras de IA influenciam eleições legislativas nos EUA
À medida que as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos se aproximam, a inteligência artificial (IA) tem ganhado cada vez mais espaço nas campanhas eleitorais, trazendo junto um aumento preocupante na desinformação.
Pesquisadores deram o nome de “slopaganda” a esse fenômeno crescente, que é utilizado tanto por republicanos quanto por democratas, embora sejam os apoiadores de Donald Trump que mais investem nessa tecnologia para as eleições de 3 de novembro.
Em um dos anúncios, Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado pelo estado do Michigan, aparece segurando cartas de um jogo de tabuleiro com frases como “Morte aos Estados Unidos” e “Celebre o 11 de Setembro”, data do atentado contra as Torres Gêmeas, em Nova York.
Um narrador afirma que “a destruição de Israel e do Ocidente não é apenas um jogo para eles”, acrescentando que “é uma missão”.
El-Sayed, muçulmano e filho de um egípcio, também aparece em uma foto familiar gerada por inteligência artificial, ao lado de quatro mulheres completamente cobertas por véus.
Uma organização ligada a Ted Cruz, senador republicano pelo Texas, é responsável pelo vídeo, que contém um aviso informando que o material foi “criado, total ou parcialmente, com o auxílio de inteligência artificial”.
Cenário preocupante
Esse último exemplo é uma exceção, segundo pesquisadores, já que a maioria dos anúncios criados com IA não são rotulados como tal, facilitando a disseminação de desinformação.
O Wesleyan Media Project, que analisa os gastos em publicidade eleitoral nos EUA, identificou até agora 220 anúncios políticos gerados por IA, embora o número real seja provavelmente maior.
Quase 81% desses anúncios foram financiados por candidatos ou grupos republicanos, 12% pelos democratas, e o restante por candidatos ou organizações independentes.
Esses anúncios custaram mais de 137 milhões de dólares (753,4 milhões de reais), enquanto em 2024 o gasto com anúncios de IA foi de apenas 50 mil dólares (274 mil reais).
Apenas 27% dos anúncios mencionam o uso de IA, segundo Erika Franklin Fowler, codiretora do Wesleyan Media Project.
Não há regulamentação federal obrigando que esses anúncios mencionem o uso de IA, embora alguns estados tenham criado restrições para o uso dessa tecnologia em campanhas eleitorais.
Reações e preocupações
Jon Ossoff, senador democrata pela Geórgia, qualificou o uso crescente desses conteúdos como “profundamente preocupante” e alerta que é “um caminho arriscado rumo à destruição da verdade no debate político”.
Ossoff, que concorre à reeleição em novembro, pediu a retirada de um anúncio criado com IA, que não estava rotulado, no qual aparece em um salão de beleza sendo acusado de manipular seu relatório financeiro. O vídeo foi feito pelo grupo Senate Leadership Fund, que apoia candidatos republicanos ao Senado.
A aceitação do uso de IA em campanhas eleitorais não é positiva entre os cidadãos. Pesquisa recente da Fundação AAPC indica que 73% dos entrevistados consideram essa prática “inaceitável”.
Impacto limitado e dificuldades
Alguns estudiosos minimizam o impacto direto desses anúncios nos resultados eleitorais. A “slopaganda” parece ser mais eficaz para mobilizar eleitores ou arrecadar fundos do que para influenciar diretamente a escolha de um candidato, segundo relatório do Centro de Política Tecnológica da Universidade de Nova York.
O documento também destaca as limitações desses anúncios na captação da atenção do público, especialmente em tempos em que estamos cada vez mais sobrecarregados pela confusão gerada pela IA.


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