Economia
Mercado ajusta câmbio por possível vitória de Lula
A dois meses das eleições e com a perspectiva de continuidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o mercado financeiro já começa a ajustar o câmbio brasileiro para refletir um prêmio eleitoral. Isso ocorre após investidores manterem posições compradas em moeda brasileira durante grande parte do ano.
Recentemente, o JP Morgan rebaixou a recomendação para o Brasil, e a MSCI anunciou a retirada das ações da Stone de sua carteira MSCI Brazil, impactos que acompanham as dificuldades do Tesouro Nacional em negociar títulos indexados à inflação (NTN-B) ou prefixados (NTN-F). Tais movimentos indicam um aumento da pressão sobre o real diante do cenário eleitoral.
O mercado está cauteloso, pois avalia que a intensificação das eleições e a possível vitória de Lula podem aumentar a volatilidade, ainda mais considerando as incertezas fiscais para 2027. A tendência desencadeada nos títulos públicos costuma chegar ao câmbio, o que se observa atualmente.
Investidores tendem a evitar papéis com maior risco de desvalorização futura, especialmente quando esperam que o governo tenha que emitir mais títulos para financiar suas despesas, elevando os juros futuros. Isso reduz o valor desses títulos no mercado.
Em entrevista ao sistema Broadcast, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda e ex-secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, reafirmou que o governo não enfrenta dificuldades em financiar a dívida pública. Ele destacou que o Tesouro se prepara com uma reserva de liquidez para o período eleitoral, dissipando preocupações sobre a capacidade de captação.
Apesar disso, o sentimento geral entre investidores é de menor interesse na compra do futuro financeiro do Brasil, traduzido pela maior procura por títulos indexados à Selic (LFTs). Isso mostra a aposta de que o Banco Central atuará para controlar a inflação, que no momento está com a taxa Selic em 14% ao ano em um cenário de flexibilização monetária gradual.
Há dúvidas sobre a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), com o mercado atento a possíveis mudanças na política de juros. Enquanto isso, os investidores buscam reduzir sua exposição em real, preferindo moedas de países com menor instabilidade política como forma de proteger suas carteiras.
Relatórios recentes indicam que o real tem apresentado queda superior a 2% na última semana, pior desempenho entre moedas de mercados emergentes, atribuída principalmente ao aumento da percepção de risco eleitoral. Posições compradas em real continuam altas, mas o início da campanha eleitoral torna o real mais vulnerável a oscilações.
O crescimento da vantagem do presidente Lula nas pesquisas pode intensificar a volatilidade dos ativos locais. No câmbio, o dólar ultrapassou a média móvel de 200 dias, cerca de R$ 5,20, acionando ordens automáticas de compra, com bancos e gestores reduzindo posições em real e migrando para outras moedas emergentes.
Esse movimento caracteriza o chamado “prêmio eleitoral”, refletindo uma maior compra de dólar por investidores institucionais, enquanto as vendas corporativas de dólares são superadas pela saída líquida de capital do Brasil.
Além das incertezas eleitorais, o mercado observa com preocupação a política fiscal pós-2026. Analistas questionam se um governo reeleito terá condições de realizar os ajustes fiscais necessários em 2027, ou se a pressão dos mercados será decisiva para essas correções.
Um representante da coordenação econômica da campanha de Lula indicou ao Broadcast que o objetivo é evitar surpresas, anunciando desde já propostas concretas para o ajuste fiscal, mas não descartou o envio de medidas estruturantes ainda em 2026, caso ocorra a vitória nas urnas.

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