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Nobel de Química reconhece avanço crucial na criação de remédios
Henri Kagan, da França, e Kenso Soai, do Japão, foram agraciados com o Nobel de Química nesta quarta-feira (7) por solucionarem um antigo enigma científico: o motivo pelo qual certas moléculas na natureza existem apenas em uma forma específica — uma descoberta essencial para o desenvolvimento farmacêutico.
Segundo o comitê do Nobel, “as descobertas deles tiveram um papel decisivo para os químicos ao conceber reações que visam a produção de medicamentos”.
Algumas moléculas, conhecidas como quirais, possuem versões que são imagens especulares uma da outra, semelhantes às mãos direita e esquerda. Apesar de terem propriedades físicas iguais, suas propriedades biológicas podem variar significativamente.
Embora a maioria dos aminoácidos apresente variantes espelhadas, somente uma delas está presente nas proteínas do organismo, enquanto a outra é rara na natureza — fenômeno chamado de “homoquiralidade”, segundo a Real Academia Sueca de Ciências.
Durante muito tempo, os cientistas tentaram compreender como a homoquiralidade surge, e as contribuições dos premiados permitiram criar reações químicas específicas que induzem essa característica, afirmou o júri do prêmio.
A assimetria molecular tem impactos profundos, como evidenciado pelo caso da talidomida, um medicamento usado contra náuseas a partir de 1956. Na forma “esquerda”, era eficaz, mas sua forma “direita” era tóxica, causando graves danos a embriões até ser retirada do mercado em 1961.
Henri Kagan pesquisa quiralidade desde os anos 80. Ele descobriu como controlar reações químicas para favorecer a produção de uma versão específica das moléculas, seja a “direita” ou a “esquerda”. Esse avanço foi revolucionário para a indústria química envolvida na fabricação de remédios, aromas, perfumes e materiais inovadores.
Kenso Soai foi responsável pelo desenvolvimento da primeira reação química capaz de produzir exclusivamente uma das duas formas moleculares.
Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química, afirmou: “Henri Kagan e Kenso Soai apresentaram uma solução para um enigma químico que perdura há mais de cem anos: o surgimento espontâneo da homoquiralidade. As reações por eles criadas são impressionantes.“
Apesar de estudos relacionados terem sido reconhecidos com um Nobel em 2001, o prêmio atual não incluiu o professor Kagan na totalidade de seu reconhecimento, gerando protestos do Ministério da Pesquisa da França na época.
Henri Kagan, aos 95 anos, é professor emérito da Universidade de Paris-Saclay, enquanto Kenso Soai, de 76 anos, atua na Universidade de Ciências Naturais de Tóquio. Em uma ocasião inusitada, Soai foi surpreendido com a notícia enquanto fazia compras perto de casa.
Em entrevista em Tóquio, Soai expressou gratidão pela colaboração com excelentes colegas, destacando a importância das parcerias entre professores e alunos na ciência experimental.
O prêmio Nobel consiste em um diploma, uma medalha de ouro e um valor em dinheiro de 12 milhões de coroas suecas, equivalente a mais de um milhão de dólares (4,96 milhões de reais na cotação atual).
Este é o terceiro anúncio do Nobel nesta semana, após os prêmios de Medicina e Física, com Literatura a ser anunciado na quinta-feira. No ano anterior, o prêmio de Literatura foi concedido ao autor húngaro László Krasznahorkai. Entre os favoritos para este ano estão escritoras de diferentes nacionalidades, incluindo a jamaicana-americana Jamaica Kincaid, a chinesa Can Xue, a argentina Samanta Schweblin e a mexicana Cristina Rivera Garza.
Na sexta-feira será anunciado o Nobel da Paz, seguido do prêmio de Economia no dia 12 de outubro. Apesar da atenção nas notícias políticas, as possibilidades do ex-presidente Donald Trump receber o Nobel da Paz são muito remotas.


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