Brasil
Oruam lamenta prisão da mãe pela PF: “Levaram meu maior amor”
A Polícia Federal efetuou a prisão de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, esposa de Marcinho VP e mãe do rapper Oruam, durante a Operação Backbone, que visa investigar o controle monopólico exercido pelo Comando Vermelho (CV) sobre o fornecimento de internet em favelas do Rio de Janeiro.
Em uma postagem no Instagram, Oruam expressou sua tristeza pela detenção da mãe, referindo-se a ela como seu “maior amor”. Ele compartilhou a última mensagem enviada por Márcia, na qual ela traz um versículo bíblico e aconselha o filho a manter a calma.
A Operação Backbone, iniciada nesta segunda-feira, envolve o cumprimento de 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As ações acontecem nas cidades do Rio, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé, incluindo prisões em unidades penitenciárias federais.
Além de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, também foram detidos Lucas Santos Nepomuceno, filho do casal e irmão do artista, e o vereador Fábio Silva (Podemos) em Londrina, acusado de ser proprietário e beneficiário dos provedores de internet investigados.
A operação determina ainda o bloqueio de bens e valores que somam até R$ 558 milhões, atingindo 40 pessoas físicas e 42 empresas.
Houve suspensão das atividades econômicas das empresas enroladas, incluindo provedores de internet, produtoras de eventos, uma firma de contabilidade e outras empresas de fachada.
A Polícia Federal revelou que membros da facção cortavam cabos e incendiavam equipamentos das operadoras legítimas concorrentes, impediam reparos e forçavam moradores a contratar a chamada “internet do tráfico”.
Os provedores autorizados pelo grupo pagavam mensalmente uma taxa para operar nos territórios sob domínio da facção criminosa.
As apurações indicam que um dos líderes históricos do Comando Vermelho, preso há quase trinta anos e atualmente custodiado em um presídio federal, continuava gerenciando as operações empresariais no território, com ajuda de familiares e outros líderes.
Os lucros eram canalizados para a família do líder por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas intermediárias.
Para disfarçar os fundos, eram usadas produtoras de eventos, empresas publicitárias, imóveis luxuosos pagos em dinheiro e criptoativos.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será comunicada para revogar licenças e interromper os serviços das empresas alvos da investigação.
As autoridades tomarão medidas para garantir que os serviços de internet às comunidades afetadas continuem operando.
Os suspeitos podem ser responsabilizados por diversos crimes, incluindo controle social estruturado, extorsão agravada, atentado contra serviço público, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento ilegal de telecomunicações e lavagem de dinheiro, entre outros.
Esta operação faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, seguindo as diretrizes definidas pelo STF na ADPF 635.

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