Conecte Conosco

Mundo

Protestos tomam conta da França entre tensão e forte presença policial

Publicado

em

Centenarress de milhares de cidadãos saíram às ruas neste sábado (24) na França para protestar contra a elevação do custo de vida, em um cenário marcado por momentos de conflito com as forças policiais e críticas ao governo de Emmanuel Macron, que proibiu algumas manifestações.

Esta foi a segunda grande mobilização em uma semana, inicialmente pedindo ações para recuperar o poder aquisitivo e melhores condições para estudantes do ensino médio, que acabou se transformando em um movimento de reclamação contra Macron, cuja gestão de centro-direita terminará em maio.

O governo, focado em evitar tumultos e saques como os ocorridos na semana anterior, prometeu uma postura rigorosa para este sábado, aplicando toque de recolher em algumas regiões a partir de segunda-feira, impedindo certos protestos e mobilizando 70 mil agentes de segurança.

Na capital, Paris, os protestos culminaram em confrontos com a polícia; manifestantes agitavam a bandeira nacional enquanto um helicóptero monitorava a situação. Em outras cidades como Lyon, Lille e Nantes ocorreram disparos de gás lacrimogêneo contra grupos que protestavam em áreas proibidas. Em Toulouse, um jovem de 20 anos sofreu ferimentos graves na mão.

De acordo com o ministro do Interior, Laurent Nuñez, as manifestações foram em grande parte pacíficas, apesar de confrontos isolados com grupos radicais de esquerda. Cerca de mil pessoas foram detidas.

Segundo as autoridades e o sindicato CGT, entre 410 mil e 800 mil participaram dos eventos, a maioria de maneira pacífica. Em Paris, o número oscilou entre 110 mil e 250 mil. Entre os manifestantes estava Léa Berthelot, uma atriz de 26 anos, que participou carregada por alguém, vestindo roupas que simbolizam a França e cantando o hino nacional.

Ela declarou que estão sofrendo um ataque sério à liberdade de manifestação e que as autoridades tentam desmotivar a participação, restringindo espaços simbólicos.

Um professor aposentado, Fleury Drieu, que estava com sua filha de 15 anos, ressaltou a importância da presença dos jovens e a necessidade de ouvir as demandas populares, afirmando que “as pessoas não suportam mais esta situação”.

O aumento dos preços dos combustíveis devido ao conflito no Oriente Médio agravou a situação econômica, enquanto os estudantes denunciam a precariedade das condições nas escolas.

O líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, instou Macron a atender às reivindicações, alertando que, caso contrário, só restará a ele “a porta de saída”.

Em Orléans, cerca de 11 mil pessoas protestaram contra o partido de extrema direita Reagrupamento Nacional, liderado por Marine Le Pen, favorita nas próximas eleições presidenciais.

O governo planeja anunciar novas medidas para estudantes na segunda-feira, embora sua capacidade de agir seja limitada por planos de ajuste fiscal para 2027 visando a estabilização das finanças públicas.

Após as recentes mobilizações, os coletes amarelos, que marcaram o primeiro mandato de Macron, anunciaram mais uma manifestação para a próxima semana contra o que chamam de “autoritarismo crescente”. Além disso, as principais centrais sindicais convocaram uma greve geral para 5 de novembro.

Os distúrbios anteriores ocorreram majoritariamente em manifestações não autorizadas que tentaram se aproximar de locais estratégicos. Neste sábado, o Palácio do Eliseu foi protegido por veículos blindados.

Em Paris, museus como o Louvre e Orsay fecharam suas portas, e lojas em áreas afastadas também preferiram proteger suas vitrines ou fechar temporariamente.

Michael O’Flaherty, comissário de Direitos Humanos do Conselho da Europa, pediu aos países europeus afetados por protestos neste sábado, incluindo França, Espanha, Itália e Albânia, que respeitem o direito de reunião e coloquem a prioridade na diminuição das tensões.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2026 - Todos os Direitos Reservados