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Raquel Lyra: discurso incisivo com críticas nas entrelinhas

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O ritmo da política não coincide com o da governadora Raquel Lyra (PSD). Em uma entrevista de pouco mais de uma hora ontem à Rádio Folha, ela mostrou que não tem pressa. “A eleição acontecerá no momento adequado”, afirmou.

E esse momento está seguindo o calendário eleitoral: as convenções acontecem entre 20 de julho e 5 de agosto. Ela pretende aproveitar todos os prazos.

Raquel Lyra não demonstra preocupação ao ver seu principal adversário, o presidente nacional do PSB, João Campos, com a chapa formada e presente nas ruas do estado. “Fui eleita para governar”, disse, embora admita a necessidade de equilibrar a gestão com a presidência do partido.

A governadora aproveita cada oportunidade para ajustar o tom político de suas falas. Sem mencionar diretamente o ex-prefeito do Recife ou seus predecessores, ela institucionaliza as críticas.

Não houve assunto administrativo que não tenha sido atribuído à responsabilidade de outros governantes. Do Hospital da Restauração, que segundo Raquel Lyra jamais passou por uma reforma em 60 anos, ao abandono do metrô e a falta de creches. Todos teriam falhado por omissão.

A estratégia é personificar o que ela considera atraso dos 16 anos de PSB, buscando enfraquecer a narrativa de competência do adversário. Ela quer transmitir a ideia de que o concorrente faz política pela política, enquanto ela administra para o povo.

“Teve gente que, quando eu venci no primeiro turno, já estava em campanha para 2026. E onde está o povo nessa história? É um projeto pessoal, não um projeto de estado.”

Ela critica a oposição com base nas carências sociais. O tempo – agora o tempo das urnas – vai dizer em outubro se essa estratégia dará certo.

Imposto sobre blusas

O decreto do presidente Lula, que eliminou a taxa sobre as blusinhas, pode prejudicar o Polo de Confecções. A governadora Raquel Lyra está preocupada e planeja apelar ao governo federal para manter o tributo. Ela já conversou com representantes do setor, que se reunirão dia 20 para discutir soluções.

Divisão no PT

Na entrevista, Raquel Lyra apontou a divisão interna no PT. Ela destacou que, apesar do partido ter uma posição oficial, ele ainda é base do governo na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Em reunião do diretório no fim de março, o partido decidiu, por 59 votos a 11, apoiar João Campos.

Emendas e a Lei Orçamentária Anual (LOA)

A governadora explicou que ainda não pagou as emendas parlamentares deste ano porque a Assembleia demorou para aprovar completamente a LOA. Agora que a lei foi aprovada, Raquel Lyra assegura que vai trabalhar para realizar os pagamentos.

Fiscalização de obras

Ao retornar de Paudalho ontem à noite, a governadora Raquel Lyra visitou o Hospital da Restauração para verificar os reparos realizados no 7º andar, onde parte do teto caiu na terça-feira. O atendimento segue normalmente. Também inspecionou a enfermaria, que está em reforma.

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