Mundo
Brasileiros no Líbano vivem drama da guerra entre medo e incerteza
Nas ruas e estradas do Líbano, sob chuva e frio intenso, milhares enfrentam uma dura realidade devido à guerra entre Israel e o grupo político-militar Hezbollah. Em menos de três semanas, o sul do país ficou quase vazio, mais de um milhão de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, enquanto milhares perderam a vida e outras tantas ficaram feridas.
O Líbano abriga a maior população brasileira no Oriente Médio, com cerca de 22 mil brasileiros vivendo no país em 2023, conforme dados do Ministério das Relações Exteriores.
Hussein Melhem, libanês naturalizado brasileiro de 45 anos, reside com sua família na cidade de Tiro, no litoral sul, onde o conflito se intensifica. Ele relata ter acordado no meio da noite com tremores, abandonando sua casa imediatamente apenas com algumas roupas.
Ele descreve a situação como repleta de raiva, tristeza e muita incerteza. Seu comércio, uma padaria local, está fechado devido ao conflito. Relata que o sul está praticamente deserto, com muitas destruições e pontes bombardeadas, dificultando o deslocamento.
Com três filhas, ele testemunha famílias deixando suas residências, enfrentando chuva e frio sob barracas improvisadas. Atualmente, está acolhido numa casa emprestada, mas teme não conseguir permanecer por muito tempo.
Medos e perdas no cenário da guerra
Aly Bawab, brasileiro-libanês de 58 anos, que viajou para o Líbano para visitar familiares, descreve o medo constante. Após presenciar a queda de um edifício atingido por míssil, mudou-se para Beirute, onde os bombardeios são frequentes.
Ele tenta manter a calma para proteger a família, mas admite que o medo é inevitável. Aly relata que muitos amigos perderam parentes e que o trauma de viver esta guerra é profundo e duradouro.
Conflito se intensifica no Líbano
A historiadora Beatriz Bissio, professora da UFRJ, comenta que Israel está aplicando no Líbano uma estratégia semelhante à da Faixa de Gaza, buscando eliminar o Hezbollah no sul do país, mas enfrenta resistência da população local, historicamente ligada à região.
O intenso bombardeio tem causado destruição de aldeias, interrupção das colheitas e sofrimento para os civis que tentam permanecer em suas terras ancestrais.
Os ataques e os combates
Desde o início do conflito, as Forças de Defesa de Israel afirmam ter atingido milhares de alvos e membros do Hezbollah, enquanto o grupo libanês continua com operações militares contra posições israelenses tanto no Líbano quanto no norte de Israel.
O relacionamento histórico entre Israel e Hezbollah é longo, remontando aos anos 1980, com o grupo surgindo em resposta à invasão israelense ao Líbano e destacando sua luta desde então, incluindo um cessar-fogo recente que não cessou completamente as hostilidades.
Conflitos anteriores entre os dois também ocorreram em 2006, 2009 e 2011, mostrando a continuidade das tensões na região.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login