Centro-Oeste
Projeto ensina jiu jitsu para crianças indígenas
Por Joana Alves
O projeto social Curumins reúne 30 crianças indígenas para aprender jiu jitsu, ensinando os valores do esporte e promovendo a inclusão de pequenos atletas na arte marcial.
As aulas acontecem a cada quinze dias na Aldeia Guajajara Teko Haw, no setor Noroeste de Brasília, comandadas pelo mestre Daniel Badke Lino, faixa preta e fundador do projeto.
Segundo o professor, as crianças mostram a força dos povos originários nas competições e aprendem disciplina, respeito e hierarquia, valores importantes do jiu jitsu.
Ele destaca que o comportamento das crianças melhora tanto durante os treinos quanto na escola.
Dentro e fora do tatame
O idealizador do projeto relata que conhece os professores das crianças e eles confirmam a diferença positiva que o jiu jitsu traz para o comportamento delas.
A iniciativa começou em 2023, quando Daniel pediu autorização para dar aulas na aldeia. Atualmente, pelo menos 10 crianças participam de campeonatos regionais e exibem medalhas como forma de incentivo.
Por falta de apoio, as crianças não competem com mais frequência, segundo o professor.
Durante os treinos, há a saudação ao mestre, aquecimento e técnicas de queda e defesa. As crianças formam duplas para simular lutas e as outras torcem, incentivando em tupi-guarani.
Não há rivalidade, as crianças se ajudam e se divertem durante o treino, comenta Daniel.
Ao final, fazem um lanche coletivo, possível graças às doações de colaboradores, como roupas, brinquedos e alimentos.
Daniel explica que o projeto é focado em crianças, mas adolescentes e adultos da aldeia também têm interesse em aprender, embora falte apoio para ampliar as atividades.
O objetivo é aumentar a frequência das aulas durante a semana e a participação em campeonatos.
Guajajara
A Aldeia Guajajara Teko Haw enfrenta insegurança por não ter seu território devidamente demarcado. O cacique Francisco Guajajara luta desde 2010 pelo reconhecimento da aldeia.
Apesar da ajuda da FUNAI, muitos problemas persistem, como a falta de escola bilíngue, escassez de água, infraestrutura precária e pouco apoio governamental.
O cacique Francisco ressalta a necessidade de melhorias na aldeia, incluindo o transporte escolar, que enfrenta dificuldades por causa das estradas em más condições.
Muitos moradores resistem, buscando melhores condições.

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