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Irã não vai participar de diálogo com EUA no Paquistão
O Irã declarou que não tem planos para integrar as negociações com os Estados Unidos no Paquistão nesta segunda-feira (20). Essa posição foi divulgada pela imprensa estatal após o presidente Donald Trump enviar negociadores poucos dias antes do término do cessar-fogo no Oriente Médio.
Os EUA mantêm bloqueios nos portos iranianos, um ponto crítico nas negociações. Além disso, Trump relatou que um destróier americano abriu fogo contra um cargueiro iraniano que tentou burlar o bloqueio.
A emissora IRIB, citando fontes iranianas, afirmou que não há intenção do país em participar da próxima rodada de conversações com os EUA.
A agência Irna ressaltou o bloqueio e as exigências consideradas irracionais por Washington, mencionando que, diante dessas condições, não há perspectiva de negociações produtivas.
Faltam três dias para o final do cessar-fogo de duas semanas, iniciado em 28 de fevereiro após ataques dos EUA e Israel contra o Irã.
O vice-presidente americano, JD Vance, que já liderou a delegação em Islamabad em 11 de abril, estará acompanhado dos dois emissários habituais: Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner.
Trump publicou em sua rede social Truth Social que oferece ao Irã uma proposta justa e advertiu que, caso rejeitada, os EUA atingirão todas as usinas elétricas e pontes no país.
A segurança na capital do Paquistão foi reforçada, com estradas bloqueadas, arame farpado e barricadas. Guardas armados e postos de controle foram observados próximos ao hotel Serena, local da última rodada de negociações.
Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e líder da equipe negociadora, apontou que um acordo está distante devido a muitas divergências.
Além das conversas, há confrontos entre Washington e Teerã no Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio mundial de petróleo e gás.
Após uma tentativa frustrada de reabrir o estreito, Trump instaurou um bloqueio naval para cortar as receitas do petróleo iraniano. Recentemente, um cargueiro iraniano foi interceptado e atingido após tentar violar o bloqueio.
Trump afirmou ter a custódia total do navio ‘Touska’, sujeito a sanções dos EUA.
Trump justifica a ação alegando que o Irã está perto de fabricar uma bomba atômica, o que o país nega, declarando seu programa nuclear estritamente civil.
A guerra tem provocado milhares de mortes, especialmente no Irã e no Líbano, além de causar impacto severo na economia global.
O Irã anunciou controle rigoroso do Estreito de Ormuz, após reabri-lo brevemente, o que provocou euforia nos mercados, mas navios comerciais foram atacados subsequentemente.
Donald Trump considerou esses ataques como uma quebra total do cessar-fogo, enquanto o Ministério das Relações Exteriores do Irã acusa os EUA pelo bloqueio, classificando-o como um crime de guerra e contra a humanidade.
O tráfego no Estreito caiu a zero no domingo, segundo o site Marine Traffic.
O professor Vali Nasr, da Universidade Johns Hopkins, comentou que o Irã esperava que os EUA levantassem o bloqueio, mas a manutenção deste levantou suspeitas de que as negociações são apenas uma manobra diplomática antes de outro ataque militar.
As diferenças continuam acentuadas, principalmente sobre o programa nuclear, o ponto central do conflito.
Na outra frente do conflito, o Líbano, a situação permanece instável apesar do cessar-fogo de 10 dias iniciado na sexta-feira entre Israel e o Hezbollah, grupo pró-iraniano, com acusações mútuas de violações.
O Exército israelense está instruído a usar toda sua força diante de ameaças, afirmou o ministro da Defesa, Israel Katz. Ele também mencionou a intenção de derrubar casas próximas à fronteira para criar uma zona de segurança, o que tem causado destruição em áreas fronteiriças.
Moradores como Ali Assi, comerciante em Nabatieh, expressam incerteza sobre o futuro devido aos combates.
A guerra já causou cerca de 2.300 mortes e deslocou um milhão de pessoas no Líbano.

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