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ONU: candidatos defendem paz e a importância da confiança
Os candidatos à liderança da ONU apresentaram esta semana propostas para uma Organização das Nações Unidas focada na promoção da paz, evitando opiniões que possam desagradar os Estados-membros responsáveis por eleger o próximo secretário-geral.
Michelle Bachelet do Chile, Rafael Grossi da Argentina, Rebeca Grynspan da Costa Rica e Macky Sall do Senegal são nomeados para suceder o atual secretário-geral, António Guterres, a partir de 1º de janeiro de 2027, após o término do segundo mandato de cinco anos do português.
Cada candidato dispunha de três horas para responder às perguntas feitas pelos 193 Estados-membros e representantes da sociedade civil.
Segundo o especialista Richard Gowan, do International Crisis Group, muitos diplomatas olham com ceticismo para as audiências, acreditando que os vetos dos membros permanentes do Conselho de Segurança acabarão decidindo quem será o próximo secretário-geral, diminuindo o papel da Assembleia Geral.
Esses diálogos interativos foram instaurados em 2016 para ampliar a participação no processo eleitoral.
A eleição do secretário-geral depende da recomendação do Conselho de Segurança, cujos cinco membros permanentes têm poder de veto.
Embora muitos discursos tenham sido considerados previsíveis, as mensagens transmitidas foram relevantes para demonstrar as preocupações atuais.
Rafael Grossi destacou a fragilidade atual da ONU e se mostrou mais radical que o atual secretário-geral quanto à necessidade de reforma.
Todos os candidatos enfatizaram a urgência em restaurar a confiança em uma ONU enfrentando crises financeiras e sua relevância em um mundo marcado por conflitos armados sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial.
Michelle Bachelet, ex-presidente chilena e ex-alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, destacou a importância da presença direta do secretário-geral em áreas de conflito, opinião compartilhada por Rafael Grossi.
Macky Sall propôs um papel renovado para a ONU a fim de que ela recupere sua influência global.
António Guterres enfrenta críticas por sua atuação nos conflitos da Ucrânia e do Oriente Médio.
Rebeca Grynspan afirmou que o próximo secretário-geral deve estar disposto a assumir riscos, criticando a organização por uma postura excessivamente conservadora nesse aspecto.
Ela ressaltou que a ONU fracassa apenas quando não tenta agir, exemplificando sua experiência em negociações para exportação de cereais ucranianos durante o conflito com a Rússia.
Os candidatos destacaram a interdependência entre paz, direitos humanos e desenvolvimento, ressaltando o papel da ONU na proteção da paz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que a ONU retome seu foco histórico como guardiã da paz.
Durante as sessões, poucas perguntas abordaram conflitos específicos; os candidatos preferiram reafirmar seu compromisso com a Carta das Nações Unidas.
A respeito da situação em Gaza, Rebeca Grynspan defendeu a entrada irrestrita de ajuda humanitária e uma solução duradoura baseada em dois Estados coexistindo com paz e segurança.
As escolhas dos candidatos levam em conta suas posições e trajetórias. Nos Estados Unidos, algumas vozes já manifestaram oposição à candidatura de Michelle Bachelet devido a sua defesa dos direitos reprodutivos.
Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, abordou temas delicados, como o programa nuclear iraniano.
Os membros permanentes do Conselho de Segurança ainda não indicaram claramente suas preferências, e outras candidaturas podem surgir.
Segundo Richard Gowan, outros candidatos ainda avaliam o cenário antes de decidir sua participação.

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