Mundo
França e Reino Unido firmam novo pacto para frear fluxo migratório no Canal da Mancha
As autoridades da França e do Reino Unido assinaram, na quinta-feira (23), um acordo renovado com o objetivo de bloquear as travessias ilegais pelo Canal da Mancha. Entretanto, Londres condicionou parte do seu financiamento à comprovação da eficácia das ações destinadas a conter os imigrantes.
Depois de longas negociações, os dois países prolongaram o tratado de Sandhurst por mais três anos. Este acordo bilateral, inicialmente firmado em 2018 e já estendido em 2023, terá validade até 2026.
Segundo o ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, que assinou o documento com a ministra britânica Shabana Mahmood em Loon-Plage, ao norte da França, o pacto é fundamental para combater as redes de imigração ilegal e eliminá-las completamente.
O Reino Unido comprometeu até 766 milhões de euros em três anos, incluindo uma parcela flexível de 186 milhões condicionada aos resultados na prevenção das chegadas irregulares. Assim, são garantidos inicialmente 580 milhões de euros, um aumento em relação aos 540 milhões do plano anterior.
Caso as medidas não apresentem avanços suficientes, conforme avaliações conjuntas anuais, os recursos poderão ser redirecionados para novas iniciativas, conforme o plano detalhado a que a AFP teve acesso.
Organizações como Médicos Sem Fronteiras criticam essa abordagem baseada em resultados, afirmando que tais políticas não impedem as pessoas de buscarem asilo no Reino Unido, apenas as empurram para redes de traficantes. A associação Utopia 56 também destaca a ineficácia e o risco representado por esta política na fronteira franco-britânica.
Dados oficiais indicam que 41.472 migrantes chegaram ilegalmente ao Reino Unido em pequenos barcos em 2025, o segundo maior número desde 2018. Infelizmente, pelo menos 29 pessoas perderam a vida nessas travessias nesse ano, de acordo com informações oficiais dos dois países.
O novo acordo prevê o aumento do efetivo de segurança para quase 1.400 agentes até 2029.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, ressaltou que a cooperação entre ambos os países permitiu impedir muitas travessias ilegais. Ele afirmou que o acordo histórico fortalece a inteligência, a vigilância e a presença na fronteira para proteger o território britânico.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login