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Supremo de Israel corta benefícios para ultraortodoxos que não fazem serviço militar
A Suprema Corte de Israel determinou que o governo suspenda os auxílios financeiros para os judeus ultraortodoxos que se recusam a cumprir o serviço militar obrigatório.
Em Israel, o serviço militar é obrigatório para homens e mulheres, porém, os judeus ultraortodoxos têm uma exceção que lhes permite evitar o alistamento se dedicando aos estudos religiosos, uma isenção que existe desde 1948.
Essa exceção foi criada por David Ben Gurion, fundador do Estado de Israel, com o objetivo de proteger tradições culturais que estavam ameaçadas após o Holocausto.
Nos últimos anos, a Suprema Corte contestou essa isenção e, em 2024, decidiu que os estudantes ultraortodoxos das escolas religiosas devem ser convocados para o serviço militar.
“Como não foram apresentadas ações concretas para garantir o cumprimento do alistamento, não restou outra opção além de aplicar medidas práticas”, afirmou o tribunal em sua decisão.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, depende do apoio dos partidos ultraortodoxos para manter sua base no governo, razão pela qual se opõe a mudanças na isenção.
Com esta decisão, a Suprema Corte ordenou que sejam retirados os benefícios concedidos aos ultraortodoxos, como descontos em impostos locais, transporte público e cuidados infantis.
O juiz Noam Solberg esclareceu que esta medida não é uma punição, mas sim a perda de privilégios, ressaltando que a promoção do serviço militar é um objetivo legítimo e deve ser considerada para definir os critérios para o acesso a benefícios.
A comunidade ultraortodoxa, conhecida como “haredim”, era uma pequena parte da população israelense, mas seu crescimento demográfico a fez alcançar 14% da população judaica do país.
Esse aumento populacional, somado ao fato de milhares de israelenses terem sido convocados para lutar em recentes conflitos, gerou descontentamento, inclusive entre os próprios judeus religiosos, em relação à atual situação dos benefícios.

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