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Ibovespa cai e não alcança 190 mil pontos antes de decisões do Copom e Fed

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O Ibovespa fechou abaixo do importante patamar psicológico de 190 mil pontos na tarde desta segunda-feira (27), terminando o dia em 189.578,79 pontos, uma queda de 0,61%. Este é o menor nível desde 7 de abril, quando estava próximo de 188 mil pontos. Ao longo do dia, o índice oscilou, atingindo uma máxima de 191.339,93 pontos após a abertura em 190.745,13 pontos. O volume financeiro girou em torno de R$ 20,6 bilhões nesta abertura de semana marcada por decisões importantes sobre as taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos, que ocorrerão na quarta-feira (29).

Até lá, sem eventos que possam movimentar o mercado significativamente, espera-se que os investidores permaneçam cautelosos, aguardando indicações sobre a política monetária. Hoje marcou a quarta queda seguida para o Ibovespa.

Luise Coutinho, responsável por produtos e alocação na HCI Advisors, destaca que as tensões entre os Estados Unidos e o Irã continuam pressionando o preço do petróleo Brent, que subiu 2,58%, ultrapassando US$ 100 por barril. Isso gera volatilidade nos rendimentos dos títulos públicos brasileiros, com o Tesouro Direto suspendendo temporariamente as negociações dos títulos prefixados e atrelados ao IPCA.

A pressão sobre o petróleo persistiu após o fracasso de uma nova rodada de negociações de paz entre os EUA e o Irã no último fim de semana. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que os Estados Unidos não alcançaram seus objetivos no conflito, motivo pelo qual solicitaram negociações. Ele também mencionou que o governo iraniano ainda avalia a proposta. A declaração ocorreu antes do encontro com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em São Petersburgo.

Embora ainda haja incerteza sobre quando e como será alcançado um acordo mais definitivo, a crise geopolítica no Oriente Médio intensificou a volatilidade do mercado. Segundo Matthew Ryan, estrategista de mercado global da Ebury, a estratégia de vendas nos Estados Unidos foi suspensa por tempo indeterminado, destacando a importância desta semana devido às reuniões sobre juros e aos novos dados sobre inflação nos EUA e na zona do euro.

Além do Copom e do Federal Reserve na quarta-feira, na quinta-feira serão anunciadas as decisões do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra. Embora não se espere alterações nas taxas de juros, o mercado segue atento às avaliações dos impactos da guerra nos preços e no crescimento econômico, segundo Ryan.

Novos dados sobre inflação, como da zona do euro e o índice de gastos com consumo pessoal (PCE) dos EUA, também serão divulgados na quinta-feira, completando uma semana bastante movimentada para os mercados.

Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, ressalta que essa será uma semana carregada de decisões e dados, com expectativas também para desdobramentos na geopolítica, em meio a uma sequência crescente de resultados corporativos no Brasil. Ele destaca que a política monetária não aparenta ser tão flexível quanto o esperado inicialmente, devido à tensão no Oriente Médio, que assumiu destaque desde o fim de fevereiro.

No contexto da B3, com a alta do petróleo, as ações da Petrobras (ON +0,34%, PN +0,45%) se destacaram, diferentemente das outras blue chips, que mantiveram uma postura cautelosa. Nos papéis das grandes empresas, foram observadas quedas no final do dia, especialmente em Vale (ON -0,43%) e no setor financeiro, como Banco do Brasil (ON -0,84%) fechando na mínima do dia. Itaú PN registrou queda de 0,86%, enquanto Bradesco teve perdas de 0,95% na PN e 0,82% na ON.

Entre os maiores declínios do Ibovespa estão ações do setor imobiliário, como Cury (-7,76%), Cyrela (PN -6,44%, ON -5,79%) e MRV (-5,48%), além de Hapvida (-6,67%). Já entre os maiores ganhos estão Usiminas (+6,96%), Prio (+2,75%) e Assaí (+1,70%).

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