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México exige provas claras dos EUA em caso de governador ligado ao narcotráfico
Claudia Sheinbaum, presidente do México, solicitou aos Estados Unidos evidências “irrefutáveis” no processo contra o governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, e outras nove pessoas acusadas de conexões com o narcotráfico pela promotoria de Nova York.
Rubén Rocha Moya, do partido Morena, está no comando deste estado marcado por violência desde 2021 e é próximo do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador. Os demais envolvidos também pertencem ao partido no governo.
Durante sua coletiva matinal, Sheinbaum declarou que, caso a procuradoria-geral encontre provas suficientes e consistentes conforme a legislação mexicana ou em sua apuração, deve solicitar a prisão e a extradição dos acusados aos EUA.
A presidente ressaltou que, sem tais provas, fica claro que as acusações do Departamento de Justiça são motivadas politicamente.
Sheinbaum enfatizou que o México não aceitará interferência de governos estrangeiros para influenciar seu futuro.
A promotoria americana afirma que Rocha Moya e os outros nove acusados, que foram ou são altos funcionários do governo e forças de segurança, teriam se aliado ao Cartel de Sinaloa para distribuir grandes quantidades de drogas nos Estados Unidos.
É a primeira vez que figuras como um governador, um senador e um prefeito em exercício são acusados de vínculos com o crime organizado.
A presidente assegurou que nenhuma proteção será dada a quem quer que seja, e as leis mexicanas serão cumpridas antes de qualquer pedido internacional ser atendido.
Ela mencionou que, antes da coletiva, se reuniu com seu gabinete de segurança para definir a coordenação entre a procuradoria federal e a chancelaria na análise do pedido de extradição.
De acordo com Sheinbaum, a procuradoria deve fazer uma análise detalhada dos documentos e, a partir daí, decidir a resolução que será enviada aos EUA via chancelaria.
A presidente minimizou algumas das provas apresentadas, como supostos registros de pagamento de subornos, classificando-os como “uma folha de papel”.
O departamento jurídico da chancelaria revisou o documento e concluiu que não existem provas suficientes, sendo a procuradoria-geral responsável pela investigação conforme a lei.
Rubén Rocha Moya, de 76 anos, já foi deputado estadual e senador por Sinaloa.
Seu governo é alvo de conflitos violentos entre os grupos conhecidos como os “Chapitos” e herdeiros do fundador do cartel, Ismael “Mayo” Zambada, que foi capturado em 2024 e está preso nos Estados Unidos.
Esta disputa gerou centenas de mortes e desaparecimentos no estado.
Os supostos laços do governador com o crime surgiram após uma carta do Mayo Zambada, na qual relatava ter sido levado aos EUA sob falsas acusações ao se dirigir para uma reunião com Rocha Moya.
O Cartel de Sinaloa foi classificado como organização terrorista pelo governo americano durante a presidência de Donald Trump, que pressionou o México a conter o tráfico de drogas, sobretudo de fentanil, ameaçando impor tarifas ou usar tropas para combater narcotraficantes no país.

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