Brasil
Porta-aviões dos EUA chega ao Rio para ação com a Marinha brasileira
O porta-aviões nuclear USS Nimitz, o mais antigo em operação no mundo, desembarca no litoral do Brasil nesta quarta-feira para integrar a Operação Southern Seas 2026, exercício coordenado pela 4ª Frota da Marinha dos Estados Unidos junto com forças navais da América Latina. Conforme a Marinha, as atividades no Rio de Janeiro ocorrerão entre os dias 11 e 14 de maio.
Desde 2007, a Southern Seas, que chega à sua 11ª edição, é reconhecida como uma das maiores iniciativas de cooperação marítima no hemisfério ocidental. O exercício envolve navios, aeronaves e militares de países parceiros, com foco em treinamento conjunto, interoperabilidade e resposta coordenada a ameaças marítimas.
A passagem do grupo naval norte-americano pelo Brasil integra uma missão de circunavegação pela América do Sul, incluindo paradas em países aliados. A presença do USS Nimitz no litoral brasileiro reforça a cooperação militar e diplomática entre Brasil e Estados Unidos.
A participação do Brasil se relaciona à importância estratégica do país no Atlântico Sul, vital para proteger rotas marítimas e os recursos da chamada Amazônia Azul. Durante a operação, serão realizados exercícios conhecidos como PASSEX, além de intercâmbios técnicos e visitas institucionais entre os militares.
As atividades têm o propósito de ampliar a capacidade conjunta de atuação das Marinhas e aprimorar o preparo das tripulações envolvidas.
No Brasil, o grupo naval atuará exclusivamente na região do Rio de Janeiro. A movimentação de embarcações estrangeiras próximas ao território nacional ocorre sob coordenação das autoridades brasileiras, em conformidade com a diplomacia naval e acordos de cooperação firmados entre as nações.
A Marinha do Brasil participará da operação com a Fragata Independência, a Fragata Defensora, o Submarino Tikuna e dois helicópteros AH-11B Super Lynx.
Histórico recente da cooperação militar
A edição deste ano da Southern Seas reforça o estreitamento das relações evidenciado em exercícios recentes entre as forças navais dos dois países. Em 2024, a Marinha brasileira colaborou com um grupo-tarefa liderado pelo porta-aviões USS George Washington em exercícios realizados no litoral sudeste.
Na ocasião, foram realizadas operações aéreas complexas, incluindo o denominado cross deck — quando aeronaves de uma Marinha pousam e decolam em navios de outra força. A participação contou com caças AF-1 Skyhawk e helicópteros brasileiros, além de aeronaves norte-americanas como o F/A-18 Super Hornet. Além do treinamento militar, as atividades incluíram visitas técnicas, workshops e intercâmbios em temas como segurança nuclear, monitoramento ambiental e resposta a emergências.
Também em 2024, militares brasileiros e norte-americanos trabalharam juntos no apoio às vítimas de enchentes no Rio Grande do Sul, numa ação que envolveu a transferência de 15 toneladas de doações entre o USS George Washington e o Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico, na costa gaúcha.
Sobre o USS Nimitz
Comissionado em 1975, o USS Nimitz é o porta-aviões nuclear mais antigo em atividade no mundo. O navio é o nome da classe Nimitz, uma das mais renomadas da Marinha dos Estados Unidos. Mede cerca de 330 metros de comprimento e possui deslocamento superior a 100 mil toneladas. Sua propulsão nuclear oferece grande autonomia operacional, permitindo missões prolongadas sem necessidade de reabastecimento convencional.
O grupo aéreo embarcado inclui caças, helicópteros e aeronaves de alerta antecipado, compondo uma estrutura para missões de defesa, ataque, vigilância e apoio.
A presença do USS Nimitz no Brasil também se conecta com a experiência recente da Marinha brasileira com o Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico, incorporado em 2018. Atualmente, o Atlântico é o maior navio da Marinha brasileira e atua em operações aéreas com helicópteros, além de missões militares e humanitárias.

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