Economia
Endividamento atinge 80,9% em abril, inadimplência chega a 29,7%
Os brasileiros ficaram mais endividados de março para abril, conforme dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A proporção de famílias com dívidas subiu de 80,4% em março para um recorde de 80,9% em abril, diante dos 77,6% registrados em abril de 2025. Essas informações são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
O relatório da CNC destacou que “os resultados recentes indicam uma certa estabilidade nas condições financeiras das famílias. Apesar do aumento no endividamento, não houve uma piora significativa na inadimplência, que permanece estável, assim como a parcela das famílias que não conseguem quitar dívidas atrasadas. Além disso, a perspectiva de queda da inadimplência de longo prazo indica um perfil de endividamento mais controlável no curto prazo”.
Na pesquisa, são consideradas dívidas as contas a pagar nas modalidades cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.
Inadimplência
A proporção de famílias inadimplentes teve leve alta, passando de 29,6% em março para 29,7% em abril, ante 29,1% em abril de 2025. A parcela das famílias que afirmam não ter condições de pagar as dívidas em atraso permaneceu estável em 12,3% em abril, mesma taxa de março, contra 12,4% em abril de 2025.
Entre os inadimplentes, 49,5% relataram dívidas vencidas há mais de 90 dias.
Segundo a CNC, “o tempo médio de atraso se estabilizou em 65,1 dias pelo terceiro mês consecutivo, refletindo a melhora da renda média, que auxilia na regularização financeira”.
Endividamento em todas as faixas de renda
O aumento do endividamento em abril atingiu todas as faixas de renda. No grupo com renda familiar mensal de até três salários mínimos, a proporção subiu de 82,9% em março para 83,6% em abril. Na classe média baixa, com renda entre três e cinco salários mínimos, avançou de 82,6% para 82,8%. No grupo de cinco a dez salários mínimos, aumentou de 79,2% para 80,1%. Na faixa com renda superior a dez salários mínimos, subiu de 69,9% para 70,8%.
Detalhes da inadimplência por faixa de renda
- Renda até três salários mínimos: inadimplência constante em 38,2%
- Classe média baixa (três a cinco salários mínimos): diminuição de 28,7% para 28,0%
- Cinco a dez salários mínimos: aumento de 22,1% para 22,7%
- Acima de dez salários mínimos: acréscimo de 14,7% para 15%
Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, comentou: “O aumento das incertezas na economia global levou a uma revisão do ritmo de queda da taxa de juros no Brasil. Atualmente, a expectativa é que os juros diminuam menos do que o previsto até o fim do ano. Caso isso se confirme, os níveis de endividamento devem permanecer elevados por mais tempo”.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login