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Peru escolhe presidente entre Fujimori e Sánchez

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Os cidadãos peruanos irão às urnas no domingo (7) para decidir quem será o próximo presidente do Peru entre Keiko Fujimori, uma política de direita ligada a uma herança que divide opiniões no país, e Roberto Sánchez, um candidato de esquerda com ideais radicais.

Keiko, filha do ex-presidente autoritário Alberto Fujimori, disputa a presidência pela quarta vez consecutiva, mantendo uma leve vantagem sobre Sánchez, que é associado politicamente ao ex-presidente Pedro Castillo, atualmente preso após tentativa de golpe.

Mais de 27 milhões de peruanos, de diversas regiões do país, participarão da votação para eleger quem liderará o Peru nos próximos cinco anos, enfrentando desafios como a criminalidade, a corrupção e a instabilidade política que marcaram o país com oito presidentes na última década.

“Estamos entre duas opções difíceis, nenhuma que me agrade. Não apoio o comunismo nem a direita”, afirmou Marco Sánchez, taxista de Lima, que pretende anular seu voto.

O resultado é incerto, com pesquisas mostrando cerca de 25% do eleitorado ainda indeciso. No primeiro turno, os candidatos alcançaram juntos menos de 30% dos votos.

No segundo turno, Keiko Fujimori, empresária de 51 anos, lidera por apenas três pontos percentuais frente a Roberto Sánchez, deputado de 57 anos, segundo pesquisa da Ipsos.

Propostas e disputas

Fujimori defende uma postura rigorosa para a segurança pública e acusa Sánchez de levar o país ao caos, ressaltando a escolha entre ordem e desordem.

Por sua vez, Sánchez, apoiado por grupos ultranacionalistas, propõe uma transformação profunda para beneficiar os mais vulneráveis, utilizando como símbolo o chapéu tradicional camponês dado por Castillo.

O candidato de esquerda pretende perdoar seu mentor em caso de vitória e responsabiliza Keiko pela instabilidade política, associando seu partido, Força Popular, ao controle do Congresso que tem derrubado presidentes.

“O caos se escreve com K de Keiko”, critica Sánchez, que contrapõe que a instabilidade também está ligada a Castillo.

Desafios políticos e sociais

O Peru enfrentou uma média de quase um presidente por ano na última década, um dado sem precedentes na região. O presidente eleito substituirá o atual chefe interino do país, José María Balcázar, a partir de 28 de julho.

Sem maioria parlamentar após as eleições de abril, o próximo governante terá que negociar com um Congresso que voltará a ser bicameral após 30 anos.

“A democracia institucional está em risco há anos”, alerta Patricia Zárate, especialista do Instituto de Estudos Peruanos.

A visão do eleitorado

Apesar do histórico controverso de sua família, Keiko aposta que o medo da criminalidade crescente fará os peruanos escolherem uma liderança forte, inspirada no governo do seu pai na década de 1990.

Hugo Rojas, vendedor de pães em Lima, declarou: “Vou votar nela porque acredito que ela tenha o mesmo sangue do pai para mudar a situação”.

Fujimori promete expulsar imigrantes ilegais e usar forças militares para combater a criminalidade com a mesma determinação que seu pai enfrentou grupos insurgentes.

Sánchez propõe a reformulação das forças policiais, apoio aos militares e revogação de leis brandas contra criminosos, mas ressalta o respeito aos direitos humanos.

Em 2025, houve 26.500 denúncias de extorsão, um aumento de nove vezes em cinco anos, e a taxa de homicídios na região de Lima triplicou, segundo dados oficiais.

Oliver Cotera, mototaxista de 50 anos, expressa indignação: “Estamos cansados de políticos corruptos que deixam apenas migalhas para o povo. Se não pagar a extorsão, coloco minha família em risco.”

Economia e perspectivas

Apesar da crise política, o Peru teve crescimento econômico de 3,4% em 2025 e uma inflação mais baixa que a média latino-americana. No entanto, a mineração ilegal cresceu e sete em cada dez trabalhadores atuam na informalidade.

Fujimori apoia o investimento estrangeiro e defende uma economia de mercado estável, enquanto seu adversário propõe maior controle estatal sobre a economia.

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