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Economia

Moda autoral em Pernambuco: caminhos e desafios

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Moda autoral refere-se à produção de roupas, calçados e acessórios que têm o processo criativo do designer e a identidade cultural no centro. Esse segmento deixou de ser um nicho exclusivo de passarelas conceituais para se tornar um dos fundamentos da economia criativa em Pernambuco. Com características como produção em pequena escala, o que evita superestoque e desperdício, aposta no conceito de slow fashion, a moda autoral representa um manifesto de identidade, resiliência e inovação.

O mercado tem experimentado um crescimento significativo nos últimos anos, impulsionado principalmente pelos pequenos empreendedores que, mais do que criar peças, contam histórias, preservam saberes tradicionais e propõem um novo modelo de consumo. O impacto vai além da estética, promovendo geração de emprego, distribuição de renda e fortalecimento de arranjos produtivos locais, como associações de rendeiras, bordadeiras e artesãos de couro no interior do estado.

Assim, a moda autoral se configura como um dos grandes representantes da economia criativa, que engloba setores baseados no capital intelectual e cultural. Pernambuco, há pelo menos duas décadas, aparece como um dos estados mais dinâmicos e criativos nesse segmento. Materiais como couro, bordados, renda renascença e crochê, combinados à diversidade cultural do estado, oferecem uma fonte rica de referências visuais e conceituais para os designers locais.

Apoios institucionais são fundamentais para o desenvolvimento do setor. Políticas públicas estaduais, iniciativas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Pernambuco (Sebrae/PE) e do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecção de Pernambuco (NTCPE), por meio do Marco Pernambucano da Moda (MPM), têm atuado para profissionalizar e fortalecer o mercado. Um exemplo é a loja coletiva Moda Autoral de Pernambuco (Mape), inaugurada em 2021 pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), que reúne atualmente 85 marcas de vestuário, acessórios e calçados, localizada provisoriamente no Edifício Palazzo Itália, no Recife.

As criações que compõem a Mape são aprovadas por edital e caracterizam-se por uma liberdade criativa pautada em elementos culturais locais, funcionando como uma vitrine do melhor da moda autoral pernambucana, também atraente para turistas. A evolução do faturamento da Mape indica o crescimento do setor: de R$ 1.435.286,87 em 2022 para R$ 1.732.834,46 em 2023, totalizando vendas acumuladas de R$ 6.871.698,25 desde a abertura.

A promoção de eventos é outra estratégia para ampliar a visibilidade das marcas, incluindo participações em feiras e festivais como a Fenearte, o Festival Pernambuco Meu País e o Festival do Jeans de Toritama, além da participação no Trama Moda Pernambuco, o maior evento de moda, criatividade e negócios do estado. O Sebrae/PE oferece ainda consultorias em desenvolvimento de produtos, marketing, gestão financeira, embalagens e apoia o acesso ao mercado, incluindo feiras e rodadas de negócios.

O NTCPE propicia apoios que incluem capacitação, incubação, aceleração de marcas e acesso a laboratórios com tecnologias para modelagem, estamparia e prototipagem. Programas como o Circuito Moda Pernambuco (CMP) e o Pasig ajudam a fortalecer negócios conforme seu estágio de desenvolvimento. Serviços como o Marco Foto Lab garantem fotos de qualidade para e-commerce.

Entre os principais desafios para os empreendedores estão a obtenção de capital de giro e a gestão financeira, muitas vezes dificultadas pela estrutura reduzida das equipes, que precisam administrar diversas etapas do negócio. A governança do setor, por meio de políticas públicas alinhadas, contribui para a consolidação do polo de confecção pernambucano, que se destaca na região Nordeste.

A moda autoral em Pernambuco tem raízes que remontam às décadas de 1960 e 1980, com marcas pioneiras como a Período Fértil, fundada por Márcia Cavalcanti e Clezinho Santos. Para eles, empreender no segmento sempre foi um desafio solo, mas hoje existem incentivos e maior aceitação do consumidor local, embora haja ainda um predomínio de compra de roupas do Sudeste por lojistas.

Apesar das dificuldades como custos elevados e concorrência de grandes marcas internacionais, os empreendedores têm conseguido vendas satisfatórias e ampliado mercados, inclusive internacionais. A designer Taís Fernandes, da marca Diabo a Quatro, destaca o apoio do Mape e do Sebrae/PE na administração e capacitação. Já o casal Marta Roca e Elton Santos, da Cabrera, produzem sandálias artesanais que conquistaram o mercado local e vislumbram a exportação.

Babi Rodrigues, fundadora da Máfia Feminina, ressalta como o crédito financeiro ainda é um desafio para negócios autorais periféricos, apesar do sucesso digital, com 75% das vendas realizadas online. Seu trabalho com customização e upcycling resgata materiais e dá nova vida a peças descartadas, aproximando criação e sustentabilidade.

Em suma, a moda autoral em Pernambuco é marcada por criatividade, identidade cultural e resistência, atravessando desafios econômicos e estruturais graças à articulação entre empreendedores, instituições públicas e privadas, fomentando um ambiente onde o talento local pode florescer e alcançar mercados cada vez mais amplos.

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