Brasil
Casos de violência digital contra mulheres aumentam muito
As denúncias de agressão digital contra mulheres cresceram mais de 180% em um ano, conforme dados divulgados recentemente pelo Ministério das Mulheres.
De janeiro a maio deste ano, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 recebeu 16.725 relatos deste tipo, enquanto no mesmo período do ano anterior foram 5.795.
O estudo indica que as redes sociais, aplicativos de mensagem, jogos online e outras plataformas virtuais estão sendo usadas para controlar, ameaçar, humilhar, expor indevidamente, perseguir, intimidar, chantagear ou ferir a dignidade e integridade de meninas e mulheres.
Em entrevista, a ministra Márcia Lopes ressaltou que o aumento pode refletir uma redução na subnotificação destes casos.
“Ter dados reais é essencial. Só poderemos criar políticas públicas eficazes tendo informações precisas,” disse.
Para Márcia Lopes, a maior confiança no serviço, que proporciona segurança para as mulheres denunciarem, e a melhoria na qualidade do atendimento são fatores que justificam esse crescimento.
Capacitação
Para aprimorar o atendimento de casos de violência digital, o Ministério das Mulheres, junto com a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom/PR), qualificou aproximadamente 350 atendentes do Ligue 180.
A coordenadora geral do Ligue 180, Ellen Costa, explicou que a Central já recebia denúncias digitais, mas a atualização dos protocolos busca orientar melhor as vítimas sobre como agir diante desses crimes virtuais.
“É fundamental qualificarmos nossas atendentes para identificar e tratar adequadamente esses tipos de violência no atendimento virtual,” afirmou.
Além da capacitação, o formulário de atendimento foi atualizado para incluir tipos específicos de violência digital. Ellen Costa ressaltou que o serviço vai além da Lei Maria da Penha, aproximando-se da realidade atual das mulheres.
Perfil das vítimas
A Central de Atendimento registra quase 3 mil casos por dia, com cerca de 30% sendo denúncias. As denúncias de violência digital subiram do sétimo para o quinto lugar entre os tipos reportados em 2026.
Quase metade das vítimas (48%) são mulheres negras, seguidas por mulheres brancas (34,2%). A faixa etária com maior incidência é entre 35 e 44 anos, representando 21,6% dos casos, e ampliando para 25 a 49 anos, chegam a 50,8%.
Em 2025, 25,7% das vítimas tinham ensino médio completo, e quase metade delas (45,9%) têm renda até um salário-mínimo ou nenhuma.
Decreto presidencial
O decreto nº 12.976/2026, que entrou em vigor recentemente, regula a proteção das mulheres na internet, definindo deveres para plataformas digitais na prevenção e enfrentamento da violência contra mulheres online.
A diretora da Secretaria de Políticas Digitais da Secom, Marina Pita, ressaltou que o decreto cria um ambiente mais seguro para que as mulheres tenham liberdade de expressão na internet, sem serem perseguidas.
O documento determina tempos para remoção de conteúdos não consentidos, incluindo imagens falsas geradas por inteligência artificial, reconhecendo seu impacto similar na vida das mulheres.
Márcia Lopes destacou que essas ações fazem parte do Pacto Brasil entre os Três Poderes para o enfrentamento do feminicídio e mencionou a importância da aprovação do Projeto de Lei nº 896/2023, que criminaliza o ódio contra mulheres, equiparando-o ao crime de racismo.
Campanha nacional
Para divulgar o decreto, o Ministério das Mulheres lançou a campanha nacional O Digital é Nosso Lugar, com o tema: Nossa Conexão é Livre. Proteja. Denuncie. Ligue 180.
Esse movimento visa fortalecer a informação e o combate à violência digital contra mulheres, promovendo um ambiente online mais seguro e justo.

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