Mundo
Crise energética provoca protestos na Venezuela
“Queremos luz! Queremos luz!” é o clamor dos manifestantes que ecoa pelas noites nos bairros e estradas da Venezuela, onde os protestos contra a falta de energia elétrica aumentam.
A escassez de eletricidade acontece num momento em que o país precisa ampliar sua produção de petróleo, recém-aberto a investimentos de grandes multinacionais, poucos meses após a captura de Nicolás Maduro em uma operação dos Estados Unidos.
O oeste venezuelano enfrentou cortes de luz diários entre três e quatro horas durante anos. Entretanto, a nação que detém as maiores reservas petrolíferas do mundo está vivendo os piores racionamentos de sua história, consequência de desinvestimentos, corrupção e má gestão do setor elétrico.
Daiwuin Terán, proprietário de uma mercearia em Maracaibo, capital do estado de Zulia (oeste), uma área de interesse para as petrolíferas, afirma: “As pessoas estão irritadas, estressadas, e isso é visível em seus rostos”. Ele acredita que o desconforto generalizado pode desencadear uma revolta que as autoridades querem evitar.
Recentemente, houve protestos espontâneos em vários estados, incluindo bloqueios em rodovias e queima de pneus, ocasionando longas filas de veículos. No estado andino de Táchira, após quatro dias sem eletricidade, manifestantes bloquearam estradas, intensificando os protestos pelo país.
Na capital Caracas, não há cortes programados, mas a cidade sofre com frequentes oscilações de voltagem.
Alexander Montesuma, cozinheiro em uma escola na região industrial decadente de Guacara, no estado de Carabobo, descreve a situação como um “esgotamento catastrófico”. A vizinha Jaqueline Jiménez relata que a frequência dos apagões tem causado a perda de alimentos, acarretando prejuízos para famílias locais.
O consumo elétrico aumentou devido às altas temperaturas recentes. No final de setembro, a demanda atingiu um pico de 16.400 megawatts, valor recorde desde 2017, de acordo com a presidente interina Delcy Rodríguez. O país gera em média cerca de 12.000 megawatts.
Manifestações exibem cartazes com frases como “Chega de apagões” e “Não aos apagões”.
Os racionamentos, que duram entre sete a doze horas diárias, preocupam tanto os líderes do governo quanto da oposição. A presidente interina, que governa sob a pressão dos Estados Unidos, firmou acordos com empresas internacionais, incluindo a GE Vernova, visando recuperar 5.000 megawatts em quatro anos.
Em agosto, foi determinada a redução da jornada de trabalho no setor público para amenizar a crise elétrica.
Durante visita a Caracas em setembro, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, mencionou um plano de cinco anos para restaurar o sistema elétrico, cronograma longo para quem enfrenta de 40 a 80 horas semanais sem luz.
Alejandro Grisanti, da empresa Ecoanalítica, alerta que a falta de eletricidade é o principal obstáculo para a recuperação econômica da Venezuela, já que a demanda está crescendo mais rápido que a capacidade de geração.


Você precisa estar logado para postar um comentário Login