Brasil
Saída de Flávio Bolsonaro deixa repercussão no exterior após eleições
A imprensa mundial comentou a partida do senador Flávio Bolsonaro do Brasil após sua derrota nas eleições presidenciais para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Flávio chegou aos Estados Unidos com sua esposa e duas filhas na terça-feira (27). O Departamento de Estado americano informou que fornecerá vistos para ele e sua família.
O senador foi derrotado no segundo turno das eleições no domingo (25), com Lula alcançando um quarto mandato inédito com 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% do oponente. O candidato do PL não reconheceu o resultado das urnas.
Flávio foi notificado na segunda-feira (26) para entregar seus passaportes em até 24 horas, prazo que expirou na terça e não foi cumprido. A Polícia Federal informou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes sobre o descumprimento e realizou o cancelamento dos documentos no sistema.
A determinação para a entrega dos passaportes surgiu em investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, assunto revelado pelo Estadão em 18 de outubro, uma semana antes do segundo turno. Flávio negou qualquer irregularidade e classificou a medida como uma forma de intimidação.
O jornal americano The New York Times ressaltou que Flávio Bolsonaro saiu do Brasil depois de perder as eleições e da ordem judicial para apreensão de seu passaporte, pois ele é investigado por lavagem de dinheiro.
De acordo com a imprensa, a ajuda dos EUA a Flávio Bolsonaro pode aumentar as tensões entre a administração Trump e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que acusou Donald Trump de interferir nos assuntos internos do Brasil.
O jornal argentino La Nación destacou que pessoas próximas ao senador indicaram que os Estados Unidos estariam envolvidos na saída dele do Brasil. O veículo também mencionou que, durante o governo Trump, os EUA se tornaram um porto seguro para o clã Bolsonaro, lembrando que o irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, também está no país.
O britânico The Guardian comentou que Eduardo Bolsonaro declarou em entrevista que seu irmão deveria sair do Brasil caso fosse derrotado nas eleições. Também mencionou o cancelamento do passaporte do senador e afirmou que Flávio Bolsonaro possui cidadania italiana e passaporte europeu desde 2023.
O jornal espanhol El País lembrou que o senador recusou-se a aceitar a vitória de Lula, assim como fez seu pai, Jair Bolsonaro, em 2022, que também viajou para os EUA antes da posse, mas depois retornou.
A emissora alemã Deutsche Welle abordou a proibição de saída do país para Flávio e a obrigação de entregar todos os seus passaportes. O ministro Alexandre de Moraes determinou que fossem entregues os documentos brasileiros, comuns e diplomáticos, além de outros países, incluindo o italiano de Flávio.
Flávio Bolsonaro é alvo de duas investigações criminais por suspeita de lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados ao escândalo do Banco Master e desvios no INSS. Após sua derrota e com o fim do mandato de senador se aproximando, ele deve perder o foro privilegiado no STF a partir de fevereiro.

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