Brasil
Lula e idosos se emocionam em festa de aniversário
Aos 90 anos, a aposentada potiguar Cícera Brasil apressou o passo nesta terça (27) até a entrada do Palácio da Alvorada, em Brasília. Apenas uma cerca a separava do bolo de aniversário. Ela agilizou o caminho, assim como no último domingo, quando votou emocionada para o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que completa 81 anos hoje.
Matriarca negra de uma família com o nome do país, Cícera, que saiu de Caicó (RN) em 1969 para Brasília com três filhos e o marido marceneiro, queria dizer ao presidente que vota nele desde 1989 e que a trajetória de sua família ganhou visibilidade graças às políticas públicas implementadas por Lula nos anos 2000.
“Todos os meus filhos e netos puderam estudar. Ele sempre inspirou minha família a acreditar que era possível ter uma vida digna.”
“A imagem mais forte”
Lula e a avó motivam a filha Renilda e a neta Ludmila, de 30 anos, que a acompanharam no evento em homenagem ao presidente eleito com mais de 64 milhões de votos. Diante de centenas de eleitores no Palácio do Alvorada, o presidente se emocionou especialmente ao agradecer o esforço dos idosos.
“Eu estava vendo o vídeo dos idosos votando. Eu, sinceramente, acho que foi a imagem mais forte e humana que já vi em uma eleição”, disse Lula, com os olhos marejados.
Ele lembrou que muitas pessoas foram carregadas no colo, nos braços dos filhos e netos, em cadeira de rodas e até em macas para chegar até as urnas.
“Mais uma Silva”
Rivanda Pereira da Silva, de 71 anos, residente em Samambaia, periferia do Distrito Federal, emocionou-se ao votar e cantar parabéns ao presidente que compartilha seu sobrenome.
“Sou mais uma Silva que votou nele.”
Rivanda mudou-se de Teresina para Brasília com a família em 1962. Seu pai era pedreiro. Devido às dificuldades, precisou adiar os estudos para trabalhar. Votando em Lula desde 1989, afirma que foi após o mandato do presidente, a partir de 2003, que entendeu a importância da educação. Mãe de dois filhos, avó de cinco netos e um bisneto, ela defende que a prioridade deve ser a escola. “Este presidente me fez refletir muito sobre isso”, explicou.
Livros nas costas
Henrique Pereira de Oliveira, pedreiro de 73 anos, também celebrou o aniversário de Lula. Natural de União (PI), mudou-se para Brasília em 2004, um ano após o primeiro mandato do presidente. “Eu via esse homem e senti vontade de escrever. Não tinha nem começado o primário, mas precisava me expressar.”
Henrique se tornou poeta. Hoje, no aniversário de Lula, ele carregava uma mochila com seus livros sobre o presidente operário que virou líder nacional. Já produziu sete obras, a mais recente chamada O indomável Lula, lançada no mês passado. Ele financia a publicação dos livros com o que ganha como pedreiro.
Henrique sonha em entregar sua obra ao presidente.
“Sabia que seria difícil hoje por causa da multidão, mas há mais um mandato pela frente. Ele me inspira muito. Não há felicidade maior do que estar entre o povo que o escolheu como presidente.”
Diante de idosos como esses e de pessoas de outras idades cantando parabéns, Lula repetiu a palavra gratidão várias vezes. Recordou sua mãe, Dona Lindú (apelido de Eurídice Ferreira), que faleceu aos 64 anos de câncer uterino.
Lembrou das mulheres que defenderam políticas públicas e dos jovens que foram às ruas sem organização partidária. “Precisamos melhorar as políticas sociais”, afirmou.
No dia do aniversário
As emoções vividas no aniversário do presidente foram semelhantes às da maioria dos brasileiros no último domingo, conscientes de que este pode ser seu último mandato. Lula completará quatro mandatos aos 85 anos, sendo o presidente mais idoso da história do país.
Lígia Câmara, advogada de 48 anos, natural de Garanhuns (PE) e conterrânea do presidente, disse ter ficado feliz ao votar nele.
“Esperança de manter nosso país soberano e livre da possibilidade de um governo que exclui minorias.”
Na noite do mesmo dia, comemorou ao lado da filha Beatriz e do esposo Rafael Câmara. Outra nordestina em Brasília, a oftalmologista baiana Barbra Bita acompanhou Lula desde suas primeiras disputas até a liderança consolidada no Executivo.
“Em seus três mandatos, representou a esperança de um país mais justo, solidário e humano para mim e milhões de brasileiros.”
Fim de uma era
Kemilly Pereira de Souza, auxiliar administrativa de 26 anos, saiu em lágrimas da seção eleitoral do Varjão (DF), pensando que uma era política está se encerrando.
Sozinha, desejou a vitória do “velho conhecido”. Ela lembrou que foi beneficiária do Programa Universidade para Todos (Prouni), assim como seu pai, que cursou ensino superior em faculdade particular já adulto enquanto criava os quatro filhos.
“Achávamos que a graduação não seria possível pelo custo. Ele não conseguiria sozinho. Com o Prouni, meu pai conseguiu,” reconheceu.

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