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Israel sem maioria clara, presidente quer evitar nova eleição

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O presidente israelense, Issac Herzog, solicitou nesta quarta-feira (28) que os partidos políticos façam todo o possível para formar uma coalizão governamental e assim evitar uma nova eleição, após o resultado das eleições legislativas que não apontou uma maioria definitiva e marcou um avanço notável dos partidos árabes.

Com uma participação recorde de quase 78%, a mais alta desde 1999, os resultados parciais e as projeções da imprensa indicam um cenário dividido.

Com 85% dos votos apurados, o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu detinha 54 das 120 cadeiras no Parlamento, sem alcançar a maioria necessária de 61.

A coalizão da oposição liderada pelo centrista Gadi Eisenkot tinha 49 cadeiras, enquanto os partidos árabes chegaram a um recorde de 17 cadeiras.

Os resultados finais devem ser divulgados até sexta-feira (30). Após isso, o presidente Herzog se reunirá com os líderes dos partidos para decidir quem tentará formar o governo.

O líder da Lista Unificada, Yussef Jabareen, uma coalizão de esquerda predominantemente árabe, apelou para a formação de uma verdadeira aliança judaico-árabe para derrubar Netanyahu, que esteve no poder por 19 anos em períodos alternados, sendo o primeiro-ministro com maior longevidade na história de Israel.

Herzog pediu aos partidos empenho máximo para que consigam formar um governo e evitar novas eleições.

Sarah Confino, aposentada de Tel Aviv, expressou desapontamento com o resultado inconclusivo, afirmando que desejava uma vitória clara para Gadi Eisenkot. Já Ben Tzyon Vayolid, metalúrgico da mesma cidade, espera que o bloco de Netanyahu vença, reconhecendo seus esforços para garantir a vitória.

Contexto político e negociações

Youssef Jabareen declarou-se disposto a apoiar um governo de oposição sem fazer parte dele, com a intenção de derrubar a coalizão de Netanyahu. Ele destacou que, nas condições atuais, não vê possibilidade de participar de uma coalizão, mencionando o conflito em Gaza e a situação na Cisjordânia ocupada, onde houve aumento nos assentamentos israelenses e ataques por colonos, considerados ilegais pelo direito internacional.

O partido Ra’am também está aberto a essa aliança.

Gadi Eisenkot, que durante a campanha descartou essa possibilidade, ainda não se posicionou sobre a proposta das formações árabes.

Uma coalizão desse tipo seria inédita em Israel, país onde a minoria árabe – cerca de 20% da população, descendente de palestinos que permaneceram após a criação do Estado em 1948 – enfrenta forte discriminação, e a ideia de cooperar com seus representantes é rejeitada por parte da população judaica.

Sem uma maioria definida, Israel pode passar semanas em negociações para formar alianças, podendo até realizar novas eleições caso os acordos não sejam alcançados.

O partido Likud, de Netanyahu, acusou os partidos árabes de terem ‘roubado’ as eleições por meio de práticas ilegais para motivar eleitores a votar.

Gideon Rahat, cientista político da Universidade Hebraica de Jerusalém, apontou que a participação árabe foi espetacularmente maior, o que modificou o cenário político. Entretanto, os ataques de 7 de outubro geraram temor e desconfiança entre judeus e árabes.

Até o momento, somente Yair Golan, líder do principal partido de esquerda e integrante do bloco de Eisenkot, manifestou apoio à aliança, enfatizando a responsabilidade e a oportunidade de formar um governo de mudança com os cidadãos árabes de Israel.

Sem esse tipo de aliança, a situação aparenta ser um impasse, segundo a professora de Ciências Políticas Ilana Shpaizman, da Universidade Bar-Ilan.

Desafios e perspectivas

Israel está cada vez mais isolado internacionalmente devido à guerra com o Irã e à campanha militar em Gaza, onde os moradores expressam incerteza quanto às consequências do pleito.

Huda Al Huli, deslocada de Gaza, teme que as eleições possam levar ao governo de líderes ainda mais violentos.

Gadi Eisenkot concorda com Netanyahu em diversos temas de segurança e apoiou a ofensiva em Gaza após os ataques de 7 de outubro, que devastaram a região palestina.

Ele também se comprometeu a promover um ambiente mais inclusivo dentro de Israel e a conter a violência dos colonos na Cisjordânia.

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