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Pouca esperança de mudança para palestinos após eleições em Israel
As eleições legislativas em Israel terminaram sem uma maioria definida, deixando muitos israelenses e principalmente palestinos inseguros quanto a melhorias em sua situação, tanto em Gaza quanto na Cisjordânia ocupada.
Huda Al Huli, deslocada de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, gravemente afetada pelo conflito entre Israel e o Hamas, declarou à AFP: “Tememos que estas eleições resultem em políticas ainda piores, causando mais destruição em Gaza”.
Ela enfatizou a necessidade de uma voz mais humana na sociedade israelense para exigir o fim da guerra, independentemente do resultado eleitoral.
Em Ramallah, na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967, Ahmed Awad, de 67 anos, também expressou ceticismo quanto a mudanças significativas, destacando a profunda presença da direita na sociedade israelense. “Independente dos resultados, não acredito em uma mudança radical ou surpreendente nas políticas relativas ao conflito israelense-palestino”, afirmou.
Após a apuração de 85% dos votos, o partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu lidera, mas ainda sem maioria clara.
Estas eleições, as primeiras desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, ocorreram em meio a ataques contínuos de israelenses em Gaza, mesmo com o cessar-fogo de outubro de 2025, e aumento da violência de colonos contra palestinos na Cisjordânia.
Netanyahu enfrenta várias possibilidades: renovar alianças com a extrema direita, formar uma coalizão mais ampla ou permanecer em impasse político. Caso mantenha a coalizão, o ministro de extrema direita Itamar Ben Gvir manifestou interesse na pasta da Defesa, priorizando a expulsão da população palestina de Gaza.
Beth Oppenheim, do Conselho Europeu de Relações Exteriores, aponta que um governo liderado pelo centro-direita Gadi Eisenkot, rival de Netanyahu, poderia reduzir a influência da extrema direita e flexibilizar posições israelenses sobre ajuda humanitária e cessar-fogo em Gaza, mas não indicaria mudanças profundas quanto à criação de um Estado palestino ou ao processo de paz.
A continuidade de Netanyahu implica na manutenção das políticas atuais, como expansão dos assentamentos e impunidade para violência de colonos, alerta Yousef Munayyer, diretor do programa Palestina-Israel do Arab Center Washington. Ele destaca que até uma derrota de Netanyahu pode agravar a situação, pois um governo alternativo frágil pode adotar políticas ainda mais duras para demonstrar força.
Na Cisjordânia, a violência pode aumentar se a extrema direita sair do poder, com colonos desafiando o novo governo. Em Gaza, Adnan al Asar não nutre ilusões: “Todos seguem a mesma política que prejudica o povo palestino”.

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