Economia
Aumento do desemprego entre jovens no mundo em 2025
O desemprego entre os jovens cresceu globalmente no último ano, conforme informações divulgadas pela ONU nesta terça-feira (11), em meio ao progresso da inteligência artificial, que tem transformado o mercado de trabalho.
A recuperação do emprego juvenil pós-pandemia de covid-19, que já mostrava sinais de fragilidade, parou de avançar, alertou a agência trabalhista das Nações Unidas.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) declarou que a taxa de desemprego global para jovens de 15 a 24 anos chegou a 12,4% em 2025, contra 12,3% em 2024, totalizando 67 milhões de jovens desempregados.
Além disso, a proporção de jovens que nem estudam, nem trabalham, nem recebem treinamento (NEET, na sigla em inglês) também subiu, atingindo 20% (mais de 257 milhões de pessoas).
Por outro lado, alguns dos maiores aumentos no desemprego juvenil foram observados em países com alta renda.
“O enfraquecimento do crescimento econômico, a menor geração de empregos, as tensões geopolíticas e a rápida evolução tecnológica estão conduzindo os países a uma nova crise no emprego jovem”, alertou a OIT.
A organização projeta que a taxa de desemprego juvenil fique estável em torno de 12,3% em 2026 e 2027.
No entanto, “quando tanto a taxa de desemprego juvenil quanto a taxa de NEET sobem simultaneamente, acendemos os sinais de alerta”, disse em entrevista coletiva Sara Elder, chefe da unidade de análise de emprego e política econômica da OIT.
Entre 2023 e 2025, os maiores aumentos da taxa de desemprego entre jovens ocorreram na América do Norte, Norte da África e nas regiões Norte, Sul e Oeste da Europa.
Na Ásia Central e Ocidental, assim como no Leste Europeu, a queda da taxa de desemprego juvenil aconteceu junto com o aumento do número de jovens NEET.
Embora essas taxas tenham diminuído na América Latina e no Caribe, parte do resultado está ligado à redução da população jovem.
O relatório aponta que as mudanças tecnológicas, especialmente o avanço da IA, estão mudando as perspectivas profissionais dos jovens. A diminuição de muitos empregos qualificados dificulta o acesso dos jovens às novas carreiras.
Os cargos antes considerados porta de entrada ao mercado de trabalho para jovens — como funcionários de escritório e administrativos, funções nos setores de serviços e vendas, na indústria manufatureira e algumas profissões técnicas — estão sendo eliminados.
Sukti Dasgupta, diretora do Departamento de Emprego, Competências e Empresas Sustentáveis da OIT, informou que “6,1% dos empregos hoje ocupados por jovens de 15 a 29 anos estão em profissões altamente vulneráveis às mudanças provocadas pela IA”.
“Se 10% desses empregos afetados pela IA sumirem, 5,6 milhões de jovens empregados, principalmente em países de alta renda, enfrentarão desemprego, terão que mudar de profissão ou sair do mercado de trabalho”, destacou.

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